Múltiplos,
obras seriais
e reproduções
Em artigo escrito há 20 anos, o crítico de arte Guido Ballo, na época diretor do Instituto de História da Arte na Academia de Brera, em Milão, procurou esclarecer as diferenças entre múltiplos, reproduções e obras seriais. Segundo ele, ‘‘o múltiplo está colocado entre a criação artística e a produção industrial. Trata-se de um dos pontos de encontro da arte com os meios técnicos do nosso tempo’’.
Na época, Guido Ballo já afirmava que cada obra em vários exemplares é considerada genericamente como ‘‘múltiplo’’, tenha esta obra premissas artesanais ou não. Mas para ele os múltiplos são apenas as obras produzidas em sistema industrial com uma tiragem limitada, a partir de um protótipo que, mesmo não sendo destruído, não pode ter valor pois se trata somente de um projeto, sem a consistência da matéria.
Já as obras seriais, na concepção do crítico, são aquelas que não anulam as premissas artesanais, como o toque, a sensibilidade da matéria, a busca para realizar o produto quanto mais pessoal possível. Esta seriação não usa sistemas industriais, nem nasce de um projeto, como ocorre no design. Como exemplo, ele cita as obras seriais de Andy Warhol.
‘‘Entretanto, esta distinção entre múltiplos e obras seriais não quer absolutamente estabelecer uma escala de valores: para o público, para os mercadores e também para certa crítica, são todos múltiplos (até mesmo as cópias). Trata-se de uma distinção de princípio que, certamente, continuará mais em teoria do que na prática, sendo porém necessária para nos orientar criticamente’’, admitiu Guido Ballo.
Em relação à reprodução, ele define como uma simples habilidade técnica, que não pode ter pretensões artísticas pois não requer a fantasia inventiva de um verdadeiro projeto. O crítico lembra que as reproduções deixam intacto o original, que permanece assim o único a ter valor.
(S. L.)

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