ReproduçãoNa festa recifense, o frevo fala mais alto. Sombrinha compõe a indumentária dos passistasCom fogos, bonecos de articulação móvel, 27 trios elétricos, três carros alegóricos, muito frevo e vibração, o clube de máscaras Galo da Madrugada esbanjou alegria e irreverência no Carnaval do Recife. Incluído no ‘‘Guiness Book - O Livro dos Recordes’’, como a maior agremiação popular, seus organizadores calcularam que o Galo arrastou mais de 1 milhão de pessoas pelas ruas.
Ao som de banjos, violinos, cavaquinhos, bandolins, flautas e clarinetes, sete blocos reviveram o lirismo de carnavais passados, no Bairro do Recife Antigo, berço da capital pernambucana.
A folia reuniu os blocos da Saudade, das Ilusões, Nem Sempre Lili Toca Flauta, Eu Quero Mais, Aurora de Amor, Pierrô de São José e do Amor. Com uma média variável de 50 a 150 integrantes, cada bloco desfilou cantando marchas antigas e recentes, com ‘‘guerras’’ de confete e serpentina.
Em Olinda, sem cordões de isolamento e com o mínimo de organização, cerca de cem blocos de frevo, maracatu, bonecos gigantes e blocos do ‘‘eu sozinho’’ - em que uma pessoa se fantasia como quer e participa da festa de vários grupos - fizeram a farra carnavalesca. Uma das principais atrações foi o desfile do Elefante, uma das mais tradicionais agremiações de frevo da cidade.
O Carnaval de Pernambuco também foi animado por blocos chamados ‘‘alternativos’’, que ainda não possuem tradição mas marcam presença pela irreverência e nomes extravagantes, como Dekupruar, Jegue Elétrico e Virgens na Vara. Na falta de bons equipamentos, os ‘‘alternativos’’ pulam até ao som de pequenos gravadores. Os blocos e grupos se encontravam nos cruzamentos de Recife, provocando brincadeiras e trocas de foliões.
Em Pernambuco não faltou também a festa da Cabra Alada. Acompanhada pelo ‘‘rebanho alado’’, o desfile do bloco reúne dissidentes do Maracatu Nação Pernambuco, e executa livremente vários ritmos da cultura regional, tocando e dançando o maracatu, caboclinhos, coco-de-roda, maculelê, ciranda e bumba-meu-boi.
Em Olinda, uma mistura de todos esses ritmos mais o forró mesclado ao frevo, tocado por uma orquestra de escoceses vindos de Edimburgo, bonecos gigantes, afoxés e escolas de samba conviveram harmonicamente.
Nas ruas da cidade se revezaram o bloco Tanajura, que sai acompanhado de zabumba, sanfona e triângulo e o bloco de pau-e-corda Eu Quero Mais, com violinos, violões e rabecas, no estilo dos velhos carnavais.
Não faltaram homenagens ao compositor Chico Science, morto no dia 2. Com lama dos pés à cabeça, os mangueboys e manguegirls desfilaram sem orquestra e saíram sujando os foliões com barro molhado, enquanto entoavam ‘‘Da Lama ao Caos’’, do líder do movimento manguebeat.
Os blocos dos caboclinhos tradicionais em Recife também participaram da festa. Dois deles comemoraram cem anos de existência - o Canindés e o Carijós, e se juntaram pela primeira vez no 1º Encontro de Caboclinhos, no Bairro Antigo, para fazer um dos mais belos e vigorosos espetáculos do Carnaval pernambucano.

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