MULTIDISCIPLINAR Todo dia é dia de índio
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
Foi-se o tempo em que a questão indígena tinha data para ser estudada nas escolas. Embora as instituições de ensino continuem aproveitando o dia 19 de abril para promover atividades relativas aos índios, esse tema integra várias disciplinas e é abordado de forma continuada no decorrer do ano letivo.
A cada série, a abordagem também é diferenciada, adequando-se ao conteúdo de cada disciplina. Na Escola Municipal Maestro Andréa Nuzzi, cada turma trabalhou conteúdos diferentes, em uma atividade que foi intensificada na Semana do Índio. Houve contação de histórias, produção de artesanato, releitura de quadros e reprodução de brincadeiras indígenas. ''Não é apenas por se tratar de uma data comemorativa. Trabalhamos o conteúdo de modo integrado e continuado, envolvendo disciplinas como história, português, arte e geografia'', explicou a professora Silvana Arias de Oliveira, da 4 série.
A turma de Silvana fez uma releitura do quadro Coqueiro Barrigudo, de Debret. ''Cada um fez da forma como achou que deveria, já que era uma releitura. Em uma aula dessas, dá para trabalhar tanto o enfoque quanto conteúdos como primeiro plano, segundo plano, cores, elementos'', sugeriu, acrescentando que o estudo não fica restrito aos fatos históricos. ''Nós também trazemos o tema para a atualidade, mostrando que esse povo também foi sofrendo influências da nossa cultura, adaptando-se para sobreviver.''
A professora trabalhou ainda com a questão da descendência e miscigenação de raças. Assim, diante da pergunta ''quem aqui é descendente de índios?'', vários alunos levantaram a mão - e saber que têm parte da cultura indígena no próprio sangue contribui para que eles tenham ainda mais respeito e curiosidade em relação aos índios.
Ensinar a respeitar a cultura e os costumes indígenas também foi uma preocupação da professora Vanessa Beatriz Silva de Oliveira, da terceira série. ''Trabalhamos a importância da cultura indígena, e que reflexos ela tem na nossa vida, através da historicização dos índios no Paraná e em Londrina. É importante contextualizar porque só se respeita o que se conhece'', justificou.
Enquanto confeccionava um vaso em argila, Lucas Farias Ribeiro ia assimilando um pouco mais seu aprendizado. ''Tem que cuidar bem dos índios. Eles fazem balaio, vaso, caixa de palha. Eles trabalham para ganhar dinheiro para viver, não se preocupam em ficar ricos'', ensinou, reconhecendo ter vontade de conhecer uma aldeia, mas não de morar lá.
Já a segunda série trabalhou com jogos, brinquedos e brincadeiras indígenas. ''As crianças não tinham noção de que brincadeiras como bola de gude, peteca, pião, amarelinha, cabra-cega e a brincadeira do barbante têm origem indígena'', observou a professora Margareth Garcia Martins de Sá. Sua aluna Yasmin Iasbek Giroti, 8 anos, gostou de saber. ''Já tinha brincado de amarelinha e de 'burquinha', mas não sabia que isso era dos índios. Acho que eles foram legais porque inventaram as brincadeiras'', afirmou.
Assim, as crianças foram aprendendo a reconhecer a influência indígena em seus próprios hábitos e costumes. ''Nosso objetivo é a valorização de cada cultura, independentemente se é negra, indígena, branca. O importante é o respeito e a valorização dessas culturas. Todos contribuíram para a nossa vida de hoje, seja nas roupas, enfeites, comida, vocabulário'', enfatizou Rosângela Maria Cestari, supervisora da escola.


