Cassiano Elek Machado
Agência Folha
Desde que trabalhou como parteiro de toda uma corrente do jazz moderno, o ‘‘cool’’, no final dos anos 40, Gerry Mulligan nunca ficou muito tempo sem ser cercado de superlativos absolutos ou relativos. O mais interessante deles, sem dúvida, é ‘‘o melhor usuário do sax-barítono na história do jazz’’.
A Abril Music está colocando na praça duas chances de acompanhar o músico em posse de seu igualmente superlativo instrumento. O primeiro CD é ‘‘Summit’’, encontro de Mulligan com o astro do tango, Astor Piazzolla, em 1974.
Certamente não está entre os melhores ‘‘tête-à-tête’’ do saxofonista. Ele já gravou reuniões homéricas com Thelonious Monk (‘‘Mulligan Meets Monk’’), com Ben Webster (‘‘Gerry Mulligan Meets Ben Webster) e com mais um grupo de músicos de primeira linha que formaria um time de futebol. Mas ainda que com um conjunto à beira da qualidade churrascaria, a química do elástico saxofonista com o bandonionista argentino tem cores bonitas. Vale seguir o conselho dado pelo título da faixa dois, uma das que os rasqueados de Piazzolla apresentam mais volume: ‘‘Close Your Eyes and
Listen’’.
O segundo CD lançado aqui pela Abril é ‘‘Legacy’’. Aqui, o legado de Mulligan é exposto em formato ‘‘the best of’’. Há parcerias com Miles Davis e com Chet Baker, que o saxofonista praticamente descobriu. Mas o final do CD, com duas versões hollywoodianizadas de temas do músico desandam o menu.
Os CDs custam R$ 20,00, em média.

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