As mulheres se tornaram um dos principais ingredientes no tabuleiro literário do escritor baiano. Nomes como Gabriela, Tieta, Perpétua, Lívia, Mocinha, Flor, Teresa Batista, Maria Machadão e dezenas de outras têm lugar reservado no inconsciente coletivo dos brasileiros. Cada nome deflagra histórias, sensações, cores, emoções, paisagens e formas de se relacionar com o mundo. Mulheres sensuais embaladas por ritmos exóticos da cultura africana, temperando comidas com essências picantes e levando no cabresto malandros apaixonados.
Mulheres do povo, morenas e sensuais, formam o eixo de vários romances de Jorge Amado. Os homens recebem função secundária, as coisas giram em torno delas. Esse tema levou até a professora Denise Ribeiro Patrício, de Feira de Santana (BA), a escrever ‘‘Imagens de Mulher em Gabriela’’. Nacib prospera a partir da presença de Gabriela em sua vida. Ela o trai apenas porque não domina o código de mulher, mas tem bom coração.
A heroína do romance ‘‘Tieta do Agreste’’ retrata a filha pródiga, rica e disposta a ajudar a família. Ou Flor, do romance ‘‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’’, dona-de-casa transbordando virtudes que, embora entediada com o segundo marido, conhece a infidelidade quando reencontra Vadinho. Esse arquétipo feminino foi responsável pela maior bilheteria do cinema nacional. O longa-metragem ‘‘Dona Flor e seus Dois Maridos’’, de Bruno Barreto, arrebanhou 12 milhões de espectadores no cinema. A novela ‘‘Gabriela’’ tatuou para sempre no imaginário popular a história da morena sensual, que leva à loucura o árabe Nacib. Ambas foram estreladas por Sônia Braga que transcendeu o arquétipo da sensualidade baiana e da malemolência tropical. Dona Flor, Tieta e Gabriela encabeçam uma lista extensa de obras e personagens levadas à tela grande e à pequena a partir dos livros de Jorge Amado, autor que, em adaptações só perde no Brasil para Nelson Rodrigues.
Mas a alma feminina de maior representatividade na vida de Jorge Amado foi Zélia Gattai, a personagem real se tornou sinônimo de companheirismo. ‘‘Ela é a síntese de todas as mulheres. Não tem outra’’, resumiu o escritor. A atração completa – física, intelectual e moral – persistiu durante 56 anos de casamento. Zélia Gattai, possui, como ele disse, ‘‘o dengue, o requebro, o samba no p钒. O eterno apaixonado Jorge declarou há quase 10 anos: ‘‘Ainda meio dormido, às vésperas dos 80 anos, estendo o braço, toco teu corpo, sinto teu calor, tua respiração. (...) A vida nasce de ti na madrugada’’. (F.F.)

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