Diva, no imaginário popular, é aquela figura glamourosa, rica, famosa, inacessível, exigente, cercada de bajuladores, mas ao mesmo tempo sem muita capacidade de se autogovernar. A música pop é ainda um grande território machista, porém, algumas mulheres, como Katia B e Cibelle, agora implantadas no conceito de Novas Divas dno TIM Festival, apontam sinais de alterações graduais e se firmam pela personalidade e autonomia nas produções.
''Tenho todo um conceito sobre isso'', diz Katia B. ''A nova diva é humana. É uma mulher que agrega essa qualidade de carisma, de exercer um fascínio, de ter um glamour, mas ao mesmo tempo é aquela que sabe tudo o que está fazendo, que cuida de seu trabalho desde a composição, ela sabe gravar, sabe encaminhar o que ela quer pra capa do disco, ela participa dos arranjos, trabalha como uma operária. Não é como uma diva hollywoodiana que fica esperando mandarem 'vai fazer isso, vai fazer aquilo''', expõe.
No entanto, por mais que se espalhe o novo conceito, Cibelle diz que ainda acontece o clichê da diva ''menina que não faz, participa''. ''O que eu recebo de pergunta do tipo 'você interfere na produção?' Respondo: 'Não, amigo, eu produzo'. No Brasil, é bem machista até na música, tem essa cultura de que a mulherada foi feita para cantar. Não importa o que ela produza, que ela esteja gostando, sempre vão achar que tem algum mano atrás fazendo a parada'', reclama.
O panorama vem mudando de uns tempos para cá, como reconhece Katia. ''Ninguém está mais interessado em ser um boneco. A gente procura trabalhar com quem a gente gosta e se identifica, ter uma história, viajar e levar para o palco aquilo que a gente é.'' O álbum ''Espacial'', de Katia, contou com cinco produtores homens, mas a musa conseguiu manter sua personalidade no resultado final. ''Consegui botar a minha cara no disco, mesmo trabalhando com um monte de gente'', orgulha-se.
Trabalhar com esse conceito de coletivo tem dado muito certo no Rio, como o núcleo que formou a Orquestra Imperial, incluindo aí duas cantoras. Cibelle, que mora em Londres, mas sabe o que se passa por aqui, faz ressalvas: ''Aqui no Brasil não vejo muito a mulherada metendo a mão na massa, instrumentalmente falando'', observa. (Agência Estado)

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