As mulheres, é sabido, são um amplo capítulo à parte nos filmes de James Bond. E na película de estréia não é diferente: o trailer do filme já anunciava que, em sua primeira aventura nas telas, ele encontraria muito perigo... e muitas mulheres perigosas. Entre uma obrigação secreta e outra, o espião toma um drinque, beija uma mulher e a leva para a cama, o chão ou o barco - o que estiver mais próximo.
As garotas de Bond, especialmente nos filmes mais antigos, são realmente o sonho de qualquer conquistador, e não apenas pela beleza e sensualidade obrigatórias, mas pela postura: elas sempre correspondem ao flerte, invariavelmente aceitam o beijo repentino, não se mostram interessadas em amarrá-lo e nunca, jamais, discutem a relação por mais de quatro falas.
Canalha, convencido e muito charmoso, o espião tem todos os requisitos básicos para alguns dos melhores diálogos com mulheres. Em ''Dr. No'', por exemplo, vira-se para Miss Taro (Zena Marshall) e dispara: ''Por que não me mostra a ilha?'' ''Que devo responder ao convite de um estranho?'', devolve a moça. ''Deve dizer que sim.'' ''Devo dizer talvez.'' ''Às três horas no meu hotel... talvez?'' ''Sim... talvez.'' Levou.
Mas tudo bem. Ele pode. Afinal, foi apenas a sua estréia no cinema e ele já ganhou Sylvia Trench (Eunice Gayson), Honey Ryder (Ursula Andress) e Miss Taro, sem dúvida as mulheres mais deslumbrantes do elenco. E talvez só não tenha investido nas estranhas ''irmãs'' Lily e Rose, secretárias do Dr. No (Joseph Wiseman), por falta de tempo (e excesso de bom senso). Se tivesse tentado, provavelmente levaria as duas, numa cantada só. Nem a senhorita Moneypenny (Lois Maxwell), secretária (metade da população feminina dos filmes de Bond exerce essa profissão) de M, passou batido. Ela não caiu, mas também não escondeu o derretimento. E disparou, numa conversa no mais legítimo cheek to cheek: ''Essa conversa mole não lhe levará a lugar algum. Mas continue tentando''.

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