Mulheres Negras agitam segunda noite de Cabaré
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de junho de 2006
Liliana Onozato<br>Reportagem Local 
Praticamente uma orquestra composta por dois homens brancos. Os Mulheres Negras é a mistura de gêneros, tecnologia e humor, paródias e uma nova roupagem do tradicional universo pop. Os paulistas André Abujamra (voz, guitarra e teclados) e Maurício Pereira (voz e sax) se apresentam hoje na segunda noite do Cabaré do FILO, a partir das 22h30.
As apresentações performáticas dos Mulheres, com direito a sobretudo com chapéus-coco de palha, retornam a Londrina (o primeiro show aconteceu no Anfiteatro do Zerão, em 1989) com repertório antigo, porém levando em conta todas as evoluções globais. A gente teve um lapso de memória, lembra-se do filme Amnésia? Ficamos congelados durante 15 anos e voltamos há cerca de um mês. Faremos uma releitura de nossas músicas com a cabeça que a gente tem agora, refletiu Pereira, em entrevista concedida ao Folha2.
O músico acrecenta, ainda, que o show de hoje remete ao Frankstein dando aquela acordada. A gente está tirando a poeira. Como a tecnologia é parte integrante da banda, num pedaço do show tem um laptop na mesinha de som. Estamos tentando improvisar. Os Mulheres tem essa coisa de esmigalhar a tecnologia e estamos tentando descobrir como fazer isso com um chip, comentou.
A dupla se conheceu em 1984 e formou a terceira menor big band do mundo no ano seguinte, dando vazão ao experimentalismo com samplers, sintetizadores e bateria eletrônica, além das letras irreverentes. Os trabalhos dos Mulheres Negras seguiram até 1991, quando se separaram . Onze anos depois, Abujamra e Pereira retomaram o grupo com uma série de shows, aproveitando o gancho da gravadora Warner Music do Brasil que relançara em CD os dois discos do Mulheres: Música e Ciência (1988), com influências de funk, punk, bossa nova, e Música Serve Para Isso (1990), com humor mais comedido e ritmos mais consolidados . Ainda em 2002, a dupla participou do disco Ruído Rosa, dos mineiros Pato Fu, e uma versão de Mestre Jonas, música de abertura do filme brasileiro Durval Discos.
Pereira enfatiza que, mesmo separados, os dois continuaram realizando alguns projetos juntos. O André parcipou do meus disco e eu, do Karnak. Trabalhamos com as trilhas sonoras do programa Castelo Rá-Tim-Bum e também do filme. Mas a gente precisava tomar um ar. Nesses 15 anos fizemoa coisas muito diferentes, mas eu sempre digo que somos soul brothers, devido a essa comunhão instantânea que temos, disse.
Segundo o músico, por hora, Os Mulheres não sabem o que fazer com relação ao futuro embora um disco novo esteja previsto para o ano que vem, além dos trabalhos de cada um , mas se consideram sortudos por terem encontrado os chapéus e capas característicos do grupo. Somos os mesmos Mulheres Negras, mas agora com traças nos chapéus, que também fazem parte, brincou.
Além da evolução tecnológica, Pereira comenta da transformação do conceito global. Hoje você tem acesso ao mundo inteiro com muita facilidade. As pessoas se acostumaram com as catástrofes, e ainda não sabemos como Os Mulheres vão reagir a isso. A gente está continuando uma coisa que parou muito tempo atrás, sem pressa. Outro ponto levantado por ele são os trabalhos que a dupla realiza fora do grupo, deixando o Mulheres não mais em primeiro plano. Para o ano que vem estou preparando um trabalho solo, e o André está para lançar o seu ainda em 2006. Hoje a gente faz o Mulheres com mais sossego; é um pedaço da nossa cabeça. É algo em alta velocidade, é mais desgovernado, além do prazer em tocarmos juntos.
SERVIÇO
- Show com Os Mulheres Negras. Hoje, a partir das 22h30, no Cabaré do FILO (Avenida Celso Garcia Cid, 1.513). As portas serão abertas às 21h30. Ingressos: R$ 20,00 (aposentados, estudantes, classe artística, funcionários da UEL e portadores do cartão Petrobrás pagam meia-entrada) e podem ser adquiridos nas bilheterias do festival localizadas no Royal Plaza Shopping Center. Mais informações pelos telefones (43) 3323-9257 ou 3322-2596.


