Mulheres invadem as telas
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domingo, 09 de agosto de 1998
Agência Estado 
ReproduçãoAs cineastas nunca estiveram em plena atividade como agora. Sarah Bernhardt é a personagem central de Páscoa em Março, o quinto filme de Ana Carolina, com a atriz francesa Béatrice Agenin; em outubro, Ana Maria Magalhães começa a filmar Lara, sobre a vida da atriz Odete Lara, com Ana Paula Arósio; Norma Bengell prepara um filme sobre sua própria carreira, com Cláudia Lyra, enquanto, em Através da Janela, Tata Amaral dirige a atriz Laura Cardoso, que não diz uma palavra sequer, numa sequência de cinco cenas.
Carla Camurati, por sua vez, evoca os cantores líricos em La Serva Padrona, já em exibição. E a novelista Solange Castro Neves foi convidada para rodar no Japão o longa-metragem O Senhor da Luz, sobre a trajetória de Meishu-Sama, o líder da Igreja messiânica Universal, inspirado no livro escrito por ela própria.
ReproduçãoOdete Lara e Norma Bengell: histórias que valem filmesAlém disso, há vários títulos prontos, mas as diretoras ainda dependem da captação de recursos para terminá-los. A brasileira Olga Toshiko Futemma também mergulhou num projeto interessante, por conta de uma bolsa de 20 mil reais que ganhou da Vitae em 1996, para produzir Okinawa, um longa-metragem sobre a vida de seus pais - Chosei, 80 anos, e Kami, 74 - reconstruída num país desconhecido.
A lista de projetos em fase de preparação ainda é maior e dela constam, por exemplo, O Caso Morel, adaptação dom romance de Rubem Fonseca, com direção de Suzana Amaral, e a neochanchada Alô?, de Mara Mourão. Há de tudo um pouco nos filmes que estão sendo ou acabaram recentemente de ser dirigidos por mulheres: cinebiografias, neochanchada, aventura rural (Buena Suerte, de Tânia Lamarca), policial intimista (Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral), experimentalismo (Kenoma, de Eliane Caffé).
Tata Amaral, que deverá estrear seu Através da Janela em março do próximo ano, considera as mulheres mais objetivas quando tentam passar algo em seus filmes. Elas não fazem tanto rodeio, vão direto ao assunto, observa. E Norma Bengell diz que o aparecimento de tantos projetos de mulheres cineastas é o resultado de uma luta que ela própria começou nos anos 70, quando voltou do exílio para fazer sua versão de Maria Bonita. Segundo ela, o cinema brasileiro é naturalmente voltado para a mulher. Antes, a tradição era de atrizes. Agora, começam a surgir as diretoras, conclui.


