MULHERES E PROFISSÕES Mentes que brilham
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sexta-feira, 07 de março de 2003
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
Desenvolver novas variedades de plantas, especificamente do feijão. Essa é a especialidade da engenheira-agrônoma Vânia Moda Cirino, 45, melhorista do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) há 17 anos. Sua opção sempre foi trabalhar o melhoramento genético das plantas, a maior parte do tempo no próprio campo.
Única mulher entre os 14 melhoristas do IAPAR, Vânia acredita que a escolha por essa área é uma opção que exige dedicação extrema. ''É um trabalho cujo resultado não se enxerga imediatamente. Uma nova variedade exige no mínimo sete anos de trabalho, cultivando duas safras por ano. A gente tem que conhecer a planta como se conhece um filho'', explica.
Além disso, a agrônoma comenta que a função exige conhecimento de outras áreas da ciência, base teórica e conhecimento prático. Tudo para selecionar o material que será propagado. Sem contar o esforço físico. ''O feijão é uma cultura difícil. A gente trabalha muito agachada e chega a caminhar 10 a 12 hectares por dia nas plantações'', revela.
Por outro lado, Vânia acha que a profissão é gratificante por proporcionar o contato com uma equipe de trabalho diversificada e com estudantes e profissionais de outras instituições. ''Temos a oportunidade de transmitir conhecimentos e de participar da formação de novos cientistas'', diz. O desenvolvimento das variedades de plantas, segundo ela, contribui para o bem-estar social do agricultor, do consumidor, para o meio ambiente e a economia do País, pois traz a melhoria de renda, de qualidade tecnológica e o aumento da produtividade.
Vânia Cirino é membro da Comissão Técnica Nacional de Biosegurança (CNTBio), cuja finalidade é normatizar atividades relacionadas a organismos geneticamente modificados. No IAPAR, ela utiliza apenas técnicas convencionais.
Casada e mãe de dois filhos, Vânia Cirino dedica boa parte de seu tempo à profissão. Passa em média 10 horas por dia no local de trabalho. ''Às vezes mais, em alguns finais de semana. É muito experimento e muita responsabilidade. Mas a família entende e os filhos já estão crescidos''.
Paulista de Piracicaba, a cientista é formada pela Universidade de São Paulo. ''Tive uma vida meio cigana. Trabalhei em Porto Alegre, depois em Cuiabá e cheguei em Londrina em 1986'', conta Vânia, que aos 25 anos de profissão acumula mestrado e doutorado pela USP e pós-doutorado pelo Instituto Agroambiental de Roma, na Itália.


