Antígona, a personagem central da tragédia grega escrita por Sófocles e encenada em Atenas pela primeira vez em 441 a.C. é uma mulher de coragem, tanto quanto a atriz peruana Teresa Ralli, que estréia amanhã no FILO, no Teatro Zaqueu de Melo, às 19 horas. 'Antígona' enfrenta um rei tirano com a própria vida para reivindicar o direito de enterrar o irmão. Teresa se arma de coragem quando sobe ao palco sozinha para se desdobrar em vários personagens, femininos e masculinos que compõem a tragédia recheada de significados e contradições sobre a alma humana.
A personagem Antígona, dama da nobreza grega, era a filha fortíssima de Édipo e, na Grécia, o sexo frágil era considerado inferior para a maioria. A personagem incorpora valores altivos e honrados herdados de dinastias aristocráticas e não pensa duas vezes em trocar a própria vida para cumprir o dever de sepultar o irmão os gregos acreditavam que as pessoas que não recebiam enterro eram condenadas a viver vagando sem descanso assim, Antígona se torna símbolo de desprendimento de um mundo corrupto e decadente, o que determina a consciência da personagem que sabe ser a morte a atitude mais digna dentro de um mundo impuro.
O trabalho apresentado por Teresa Ralli é uma adaptação poética de José Watanabe sobre o texto clássico de Sófocles. E tem direção assinada por Miguel Rubio, que ao lado da atriz fazem parte do Grupo Cultural Yuyachkani, desde a sua fundação. Segundo a atriz, o trabalho que será apresentado aos londrinenses, de hoje a domingo, é uma criação conjunta entre Watanabe, Rubio e ela. Não se trata simplesmente de um monólogo, é uma viagem para dentro de um universo pessoal, que Teresa Ralli denomina ''unipersonal''. Segundo ela, um monólogo é concebido para ser falado. Porém, falar é algo que transcende o íntimo e no trabalho do Yuyachkani, a linguagem falada contracena com a linguagem cênica e nesse monólogo a palavra não é tudo.
A Antígona peruana é um pouco diferente da grega. Na versão do Yuyachkani o enfoque é mostrado de outro ângulo e conta a trajetória de uma mulher solitária vivendo no mundo ocupado pela miséria. Nele os mortos ainda são insepultos e a realidade é cheia de radicalismos populistas e tensões sociais, com a cara da América Latina e somente no final ela revela sua identidade. Durante a peça, Teresa Ralli interpreta sete personagens, homens e mulheres, que poderão ser identificados pela mudança do tom da voz e das expressões corporais e gestuais.

SERVIÇO:
- Antígona, com Teresa Ralli, do Grupo Cultural Yuyachkani, do Peru. estréia amanhã, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo, onde fica em cartaz até domingo.

mockup