Mulheres comandam o Guaíra
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Marcelo AlmeidaDa esquerda para a direita: Mara Moron, Vera Andrade e Mônica Rischbieter no comando do Teatro GuaíraOs três cargos mais importantes do Centro Cultural Teatro Guaíra - que engloba três auditórios e corpos artísticos estáveis: o Ballet Teatro Guaíra e a Orquestra Sinfônica do Paraná, além da Escola de Danças Clássicas - estão agora sob o comando de mulheres. Mônica Rischbieter responde pela superintendência e Vera Andrade pela diretoria administrativa. Mara Moron continua firme na direção artística.
A programação delineada pela gestão anterior, de Constantino Viaro, praticamente continua a mesma, mas algumas mudanças foram realizadas. A série dos concertos matinais aos domingos não terá a obrigatoriedade da agenda, podendo ser transferidas as apresentações para sessões noturnas.
Este ano a orquestra fará mais concertos noturnos que pela manhã, prevê Mara. Haverá uma adequação nas datas, para ir de encontro ao interesse do público, explica. Os domingos comemorativos - como o do Dia das Mães - automaticamente terão seus espetáculos transferidos.
O maestro Alceo Bocchino promove em Curitiba a abertura da temporada de 1998 dia 11 de março. O programa está em estudos. Porém já está certa a realização de um ciclo Beethoven, com as nove sinfonias. A série vai quebrar o ineditismo no Paraná. Maestros convidados virão reger a extensa obra beethoveniana.
O Ballet Teatro Guaíra, que desde sua criação em 1969 estréia as temporadas anuais na capital, este ano vai quebrar a tradição dançando primeiramente em Telêmaco Borba. Na semana seguinte será a vez de Curitiba. O espetáculo terá duas obras coreografadas por Rodrigo Moreira, um profissional da nova safra da dança.
A iniciativa de levar a companhia até Telêmaco Borba, ilustra a disposição da diretoria em se aproximar das cidades do interior. A data já está confirmada: 19 de abril. O bailado de Rodrigo Pederneiras, do Grupo Corpo, anunciado pela secretária Lúcia Camargo durante um café da manhã com a imprensa, acontecerá no segundo semestre. Porém outro talento emergente, considerado a sensação do momento, Henrique Rodovalho, criará uma peça exclusiva ao BTG, com música escrita especialmente para a obra.
Marcelo AlmeidaMônica Rischbieter: óperas sem elitismo
O Teatro de Comédia do Paraná - designação dada às montagens oficiais, financiadas pelo Teatro Guaíra - voltará seu foco para as companhias independentes. Até agora o que existe é a intenção. Falta clarear alguns pontos da proposta. Estamos buscando recursos e contactando a classe para discutirmos qual o melhor caminho, conta Mara Moron.
Ontem, foi divulgado o resultado do edital do ônibus-teatro que viajará pelo Estado, que levará espetáculos às populações que pouco acesso têm a produções teatrais. A base é praticamente a mesma do projeto O Teatro Vai à Escola, que contempla o universo estudantil.
A diferença, neste caso, é que o ônibus estacionará em praça pública, e não nos pátios escolares. As montagens serão destinadas para toda a família. Em março o TG divulga o roteiro das turnês.
As óperas acontecerão este ano, embora ainda não estejam definidos os espetáculos. Há, porém, uma ressalva: as obras escolhidas serão aquelas de fácil comunicação com o público, visando propiciar maior aproximação com a platéia. A ordem é buscar os títulos mais conhecidos da arte do bel-canto.
Já o festival de bonecos, que tradicionalmente ocorre em meados do ano, desta vez será antecipado para maio. A sétima edição do Festival Espetacular de Teatro de Bonecos, terá cerca de 30 grupos com apresentações no Guairinha, mini-Guaíra, Teatro de Bonecos e em praça pública.
O caráter é internacional. Estão sendo esperados 15 grupos do exterior, entre eles da Espanha, Alemanha, Itália e - atração especial - poderá ter ainda uma ópera barroca da Tchecoslováquia. O encontro em Curitiba acontecerá em curto espaço de tempo: apenas uma semana. Seguindo os moldes do ano passado, que deu bom resultado, haverá sessões nos horários mais diversos, da manhã à noite.
O mini-auditório está com cara nova. O público percebe pelo conforto de suas 113 poltronas, reformadas e revestidas. O espectador mais atento verá que a cortina de boca é nova (em veludo vermelho), mas também foram trocadas a bambolina e a rotunda.
Quem mais sente a diferença da qualidade do teatro de bolso são os atores e pessoal da ténica dos espetáculos que aportarem ali. O piso do palco foi reformado e ganhou linóleo novo; as cortinas sofreram melhoras e os camarins passaram de dois para seis. Os spots de luz duplicaram de dez para 20.
As benfeitorias foram realizadas a toque de caixa. Em 20 dias o Auditório Glauco Flores de Sá Brito (seu nome oficial) estava em pronto. Os funcionários da casa fizeram todo trabalho. A única intervenção externa ocorreu com as poltronas, que foram a um estofador.
O Vampiro e a Polaquinha estreou a nova fase do mini-auditório. A peça retornou à casa depois de fazer enorme sucesso em São Paulo, no Teatro do Sesi. Está em cartaz às terças e quartas-feiras, sempre às 19h30.


