Mulheres buscam visibilidade nas artes visuais
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segunda-feira, 02 de outubro de 2017
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

Após ganhar projeção mundial por denunciar que há cinco anos apenas 4% dos artistas com obras expostas no Museum of Modern Art, de Nova Iorque, foram produzidas por mulheres e que 76% dos personagens femininos retratadas apareciam em cenas de nudez, o coletivo feminista Guerrilla Girls que há 32 anos tem realizado protestos contra o sexismo nas artes visuais pelos quatro cantos do mundo desembarcou no Brasil na semana passada. Após um levantamento realizado no Masp (Museu de Arte de São Paulo), o grupo de ativistas se deparou com um cenário bastante parecido com o que tem acontecido no exterior: apenas 6% dos artistas em exposição são mulheres, mas 60% dos nus são femininos.
Alguns dados levantados pelo coletivo Guerrilla Girls ao redor do mundo serão apresentados no minicurso "Mulheres na arte: corpo, memória e aproximações", que acontece nesta quarta-feira (4), às 18h30, na Vila Cultural Grafatório, em Londrina. O tema será apresentado por Lu Renata, pesquisadora e doutoranda no Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), que falará sobre o machismo que domina o mundo das artes visuais . "Através do conhecimento e valorização de artistas mulheres no campo das artes visuais, buscaremos perceber o modo pelo qual discursos patriarcais forjaram protagonismos, influenciaram as construções ideológicas machistas e destinaram um lugar secundário, quando não invisibilizado para as mulheres na arte", afirma a ministrante.
Na avaliação dela, o machismo fortemente presente no mundo das artes é um reflexo que acontece na sociedade como um todo. "Pouquíssimas mulheres conseguiram romper a barreira do machismo e algumas até se tornaram cânones. Mas existem muitas artistas que produziram trabalhos de alta qualidade mas que continuam vivendo na invisibilidade. Basta consultar as grandes coleções de artes para constatar isso", argumenta.

Durante o minicurso que ministrará em Londrina, Lu Renata mostrará obras de algumas importantes artistas visuais que tomou conhecimento por meio de pesquisas acadêmicas. Dentre elas, a paulistana Rosana Paulino, que trabalha temas afrodescendentes; a fotógrafa paulista Cris Bierrenbach; e a pintora e escultora cubana Ana Mendieta. "São centenas de nomes aos quais cheguei por meio de uma profunda 'escavação', pois muitas permanecem quase invisíveis apesar de suas produções artísticas que abordam temáticas diversas e muitas vezes não atreladas ao feminismo", contextualiza a pesquisadora catarinense.
Ela enfatiza que é importante mostrar os trabalhos destas artistas para firmar seu nomes dentro da história das artes visuais. "Esse curso foi montado para o 13º Congresso Mundos de Mulheres, seminário internacional que reuniu oito mil pessoas no mês de agosto, em Florianópolis. A plateia ficou surpresa quando apresentei alguns dados levantados pelo coletivo Guerrilla Girls em alguns dos mais importantes museus do mundo e que mostram o quanto o trabalho de artistas mulheres tem sofrido discriminação por conta do machismo. Precisamos falar sobre isso para mudarmos esse cenário", ressalta.
Serviço:
Minicurso "Mulheres na Arte: Corpo, Memória e Aproximações"
Quando Quarta-feira (4), das 18h30 às 22h30.
Onde Grafatório (Av. Paul Harris, 1575 ? próximo ao Aeroporto)
Quanto R$70 e R$ 65 (pagamentos à vista em dinheiro ou cheque)
*As inscrições se encerram nesta terça-feira (3), às 18h30.
**Material solicitado uma fotografia impressa


