Muitos artistas e um mundo de novas idéias
Cada cabeça uma sentença. Mesmo com toda a certeza dos músicos sobre a importância do projeto da produtora Dakobra, ainda assim cada um tem um palpite para maior valorização dos paranaenses. Ou quase todos. Jorjão, do Identidade Brasil, é da opinião que deveria ser criado uma espécie de Projeto Seis e Meia (que deu origem ao Projeto Pixinguinha), apenas com paranaenses.
Funcionaria do mesmo jeito que aquele criado há mais de 20 anos no Rio de Janeiro, moldando-se o horário que não precisa ser necessariamente às 18h30. Seria uma forma de ganhar espaço, entende Jorjão.
William, da dupla William e Renan, confessou que foi à reunião meio cabreiro, porque nos 12 anos de batalha viu muitas intenções e poucas realizações. Ele observou que a lei de incentivo cultural é uma realidade, os discos estão sendo gravados e aquilo que mais faltava, a união da categoria, a Dakobra vai viabilizar.
Falta, porém, o apoio das lojas de discos. Elas não destacam os artistas locais, o comprador terá que garimpar os CDs de paranaenses e uma medida para mudar um pouco esse descaso seria uma lei municipal que obrigasse o comércio a instalar estandes com os trabalhos dos paranaenses.
Precisamos sair de nossa pseudo-realidade, comentou Paulo Juck, que falou por ele e por todo o grupo Blindagem. Há 20 anos entre guitarras, contrabaixos, teclados, baterias e muita estrada, Juck é a favor da troca de idéias, de se abandonar o espaço exíguo em que cada um se enfia ansiando o topo. Houve tempos em que a música menos consumida no Brasil era brasileira. Hoje a história é outra. As paradas mostram que 80% dos discos são nacionais.
O fato de estarmos aqui trocando idéias e informações, já é uma maneira de conhecermos o mercado, frisou. O movimento que a produtora está colocando em ação é algo inédito para ele. Pela primeira vez vejo uma coisa que nasce sedimentada, estruturada. A preocupação não é só com o movimento em si, ela envolve o artista e dá a ele a oportunidade de ser artista.
Ivam Graziano lembrou que os pais lutavam com essas mesmas dificuldades desde os anos 50. Tivesse uma tomada de consciência e medidas suficientemente decisivas na época e hoje a situação seria outra.
Os rapazes da Reles Pública - Emanuel, Fábio, Ricardo, Gor - disseram em uníssono que nos nove anos da banda nunca participaram de uma reunião como esta. Se a gente não se ligar nessa de se unir, esquece. Não vai dar certo. A tese é antiga, difundida, mas nunca foi além disso, criticaram. Todos nós queremos a mesma coisa - um lugar ao sol. A gente precisa se unir para o show estar sempre cheio, decretaram. (Z.C.L.)





