Santo Domingo - Da areia, com as águas transparentes do mar do Caribe à frente, a primeira idéia que vem à mente pode ser resumida em uma palavra, seguida, é claro, de uma exclamação. Não falar um sonoro ''Nossa!'' ou pelo menos pensar em fazê-lo é difícil mesmo quando se conhece as belas praias do Brasil. Destino ainda pouco procurado por brasileiros, a República Dominicana só pode mesmo ser definida com adjetivos.
A terra natal do estilista Oscar de la Renta é um festival de cores e paisagens exuberantes, com vastos coqueirais no leste e plantações de café, tabaco e cacau na parte norte da Ilha de Santo Domingo, que os dominicanos dividem com o Haiti. O Mar do Caribe fica ao sul, atualmente a região mais badalada, próspera pela presença de turistas e artistas.
De Julio Iglesias a Michael Jackson, passando por Antonio Banderas e Rick Martin. Todos têm casa em Punta Cana, que reúne algumas das praias mais bonitas da ilha. São mansões de até US$ 10 milhões, como a que serviu de palco para o casamento de Jackson com Lisa Marie Presley, filha de Elvis.
Os turistas compartilham o charme de Punta Cana em hotéis cinco-estrelas. As maiores redes internacionais montaram estabelecimentos na região, funcionando no sistema all inclusive, que na prática significa comer lagostas à vontade e perder a conta dos drinques, normalmente preparados com rum.
Na bebida, são acompanhados pelos alegres dominicanos, que servem com abundância e orgulho um de seus principais produtos de exportação, ao lado dos charutos que figuram entre os melhores do mundo e o café. Todo e qualquer passeio pela ilha tem como combustível o rum, também chamado pelos nativos de ''vitamina''.
A ''vitamina'' muitas vezes acompanha Coca-Cola, no conhecido cuba libre. Tantos drinques só podem terminar em uma coisa: merengue. As delgadas e claras turistas, chegadas da Europa e dos Estados Unidos, aprendem a dançar com as roliças dominicanas, mulatas como 70% da população. Memorizar os passos do merengue é fácil, principalmente após a décima repetição do hit Bomba.
O trajeto é longo, por meio de terra e água, mas quem pensava que chegar ao paraíso seria fácil? Depois de três horas de estrada, tendo Punta Cana como ponto de partida, chega-se a Altos de Chavón, réplica de uma cidade medieval construída por um milionário norte-americano. O caminho é cheio de surpresas, algumas boas, outras nem tanto. No primeiro grupo estão as pitorescas casas de zinco coloridas, que formam um bonito contraste com a vegetação. No segundo, o fato de os motoristas não usarem seta para nada. A sinalização é substituída por buzinadas, formando uma sinfonia sem significado para os turistas. A boa notícia é que os dominicanos parecem entender o que a pessoa do carro vizinho quer dizer e a viagem prossegue sem mais percalços.
Em Chavón, há uma parada para compra de artesanato e água para enfrentar a descida que leva até um ancoradouro, de onde saem lanchas para a Ilha Saona, o esperado paraíso. Depois de 35 minutos, a lancha pára numa piscina natural de águas transparentes e temperatura morna. No fundo, é possível ver peixes, estrelas-do-mar e o próprio pé. A faixa de areia da piscina é boa para garantir o bronzeado. Será o paraíso? Não. A beleza prometida fica a 10 minutos dali. É a Saona. Cercada por mar tranquilo e azul, a ilha tem areia clara e espreguiçadeira para todos. São seis horas de sol, sombra e água fresca, num dos cenários mais exuberantes do planeta.
Longe da badalação e do charme de Punta Cana, a região de Juan Dólio, no sudeste da ilha, também é rica em belezas naturais e fica perto da capital dominicana, Santo Domingo. Em vez do tom azulado das praias de Punta Cana, as de Juan Dólio têm coloração mais para o verde e são igualmente calmas e mornas. O vento comum na área deixa o mar perfeito para a prática de esportes à vela.
Quem tiver disposição para sair da água pode, em 45 minutos, chegar à capital e ver fortalezas e igrejas que figuram entre as mais antigas das Américas. O mais recomendado para fazer o trajeto é embarcar em um dos ônibus ou táxis que ficam perto dos hotéis. Os mais corajosos têm uma alternativa: a moto-táxi. ''Com ou sem ar-condicionado?'', pergunta o motorista. É uma forma brincalhona de saber se o turista quer que ele corra ou não. A velocidade é decisiva para a definição do preço da viagem.
Na moto-táxi como nas lojas, é preciso negociar. Com um pouco de espanhol, consegue-se desconto em quase tudo. Os dominicanos gostam dos estrangeiros. Só no último verão, o país recebeu 3,5 milhões de turistas.

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