O Ballet de Londrina retorna à cidade, depois de um mês fora, apresentando a coreografia ‘‘2 e Nada Mais’’ no Rio de Janeiro, Minas Gerais e no Peru. E voltou com saldo positivo. Londrina tem despontado como grande surpresa no cenário da dança, o que garantiu ao Ballet sucesso de público e crítica.
O diretor e coreógrafo da companhia, Leonardo Ramos, ficou empolgado com a temporada de duas semanas no Rio de Janeiro, além das apresentações em Belo Horizonte e Mariana, e a participação especial no Festival Internacional de Danza Nueva de Lima, no Peru. ‘‘No Rio, tivemos uma recepção fantástica. Fizemos oito espetáculos no teatro Cacilda Becker com casa cheia’’, comemora.
Em Belo Horizonte, a receptividade não foi menor. Não só pelo público como pela crítica, que apontou uma consolidação na carreira do grupo. Leonardo Ramos conta que vários críticos têm acompanhado a trajetória do Ballet, o que valeu uma análise dos cinco anos de existência do grupo. O crítico do jornal Diário de Minas, Marcello Castilho Avellar, afirmou que ‘‘a passagem do Ballet de Londrina por Belo Horizonte demonstrou que esta companhia, que durante os últimos cinco anos mostrou-se uma boa promessa, já consolida espaço cativo no panorama da dança nacional’’. Mais do que motivo do orgulho, os bailarinos londrinenses têm as críticas como reconhecimento do seu trabalho.
Arquivo FolhaLeonardo Ramos: ‘‘O que pedimos é um nível de atenção compatível’’De Minas Gerais, a companhia londrinense foi para o Peru. ‘‘Este ano, o Festival de Danza Nueva comemorou 10 anos e o Ballet de Londrina foi o primeiro grupo a participar como convidado por duas vezes’’, conta. Também participaram do evento companhias do Peru, Chile, Cuba e Estados Unidos. ‘‘Fizemos o encerramento com um público gigantesco nas três apresentações’’, afirma, lembrando que os bailarinos de Londrina foram aplaudidos de pé por cerca de oito minutos.
A companhia londrinense voltou para o Brasil com a incumbência de indicar o próximo grupo nacional a participar do evento no ano que vem. Para Leonardo Ramos, isso tudo demonstra a vocação da companhia de ser vitrine da cidade.
Mas, de acordo com o diretor, está ficando difícil ‘‘carregar’’ apenas o nome de Londrina. Leonardo Ramos reclama a necessidade de maior atenção da Secretaria Municipal da Cultura. ‘‘E deixo claro, estamos falando de dinheiro!’’ Ele diz que o problema envolve a Escola de Dança, o Ballet e a Escola de Teatro.
Leonardo Ramos relata que a Escola de Dança, da qual é coordenador, recebe atualmente a mesma verba de quando iniciou as atividades, com 80 alunos e quatro turmas. O detalhe é que hoje a escola está com 270 alunos e 13 turmas. ‘‘Há ainda o fator de responsabilidade sobre uma proposta de ensino. Algumas grades não estão sendo cumpridas por falta de verba. Um exemplo são as aulas de anatomia, música e história da dança, importantes para formação do bailarino.’’ A Escola Municipal de Teatro, acrescenta Leonardo, também cresceu em número de alunos, mas continua com os mesmos recursos de três anos atrás.
A outra argumentação do diretor diz respeito ao Ballet de Londrina, que para ele exerce uma atividade compatível com qualquer grande companhia de dança. No entanto, os bailarinos recebem o equivalente a 40% do menor salário de companhias brasileiras. Leonardo Ramos afirma que o item de complementação salarial foi suprimido de um projeto apresentado para a Lei Municipal de Incentivo à Cultura, porque a comissão de avaliação entendeu que isso era responsabilidade da Prefeitura de Londrina. ‘‘Carregamos com total orgulho, consciência e vontade o nome da cidade. O que pedimos é um nível de atenção compatível. Nós estamos discutindo com a secretária municipal de Cultura e o secretário da Fazenda há muito tempo. Nunca recebemos a resposta ‘não’, mas nada foi acertado até agora’’, alega.
A Folha 2 tentou falar com a secretária municipal de Cultura, Ângela Marçal, mas ela estava em Curitiba.

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