Muito mais que simplesmente 'samba'
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
É temerário estrear em disco com um repertório totalmente autoral. A cantora Lia Cordoni correu o risco com o CD ''Samba Fusão'', que ela lança hoje em Londrina com um show no bar Valentino. O disco, de produção independente, traz 12 composições assinadas pelo gaúcho Jairo Cechin e a proposta de modernizar o samba a partir da mistura com outros gêneros musicais.
Lia é filha da também cantora, compositora e poeta Neuza Pinheiro, que desenvolveu parcerias com artistas como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Arnaldo Antunes, Adriana Calcanhotto e Ana Carolina. Nascida em São Paulo, ela viveu vários anos em Londrina, onde iniciou as atividades artísticas como integrante do coro cênico Chaminé Batom.
Depois voltou para a capital paulista dando continuidade à carreira musical. No show, que começa às 23 horas, ela será acompanhada pelos músicos Alden Nobre (guitarra), Diogo Burka (contrabaixo), Paulinho Saca (bateria), Alexandre Malagutti (percussão) e pelo próprio Cechin ao violão.
O repertório contará com as faixas mais dançantes do CD, além de temas de Jorge Benjor (''Mais que Nada'', ''Por Causa de Você Menina'' e ''Bebete Vãobora''); Seu Jorge (''Eterna Busca''); e músicas gravadas por Elis Regina (''Vou Deitar e Rolar'' e ''Amor até o Fim'') e Clara Nunes (''Canto das Três Raças'').
Segundo Lia, o conceito de ''samba fusão'' que inspirou o álbum traz uma inovação no panorama atual em que diversas cantoras estão lançando discos de samba. ''É um trabalho diferenciado, não vejo ninguém percorrendo esse caminho. A faixa-título tem até guitarra distorcida'', diz. Para chegar à formatação final, a parceria com Cechin passou por etapas de pesquisa e meticulosa elaboração dos arranjos para temas com levadas de samba-jazz e samba-soul.
O produtor Xinho Rodrigues, baixista há dez anos do grupo de Vânia Abreu, foi fundamental no projeto recrutando músicos experimentados como Felipe Roseno, Dalua, Marco da Costa, Marco Polo e Amilcar Lobosco. Lia explica que ''às vezes você quer fundir um monte de estilos para ficar moderno e tudo acaba resultando num trabalho sem personalidade. A pessoa ouve e fala: que bagunça é essa?''.
De acordo com ela, a complexidade exigida pelo conceito foi compreendida pelos profissionais participantes: ''São músicos talentosos da região do ABC paulista e tocam para artistas como Maria Rita, Lenine, Zeca Baleiro, Ana Carolina, Fabiana Cozza e Ney Matogrosso. Eles entenderam que tudo tinha que ser dosado em pitadas''.
O parceiro Cechin explica que a maior preocupação ''foi manter a essência da música brasileira'': ''Não queríamos descaracterizar a base do trabalho. A intenção é de que o disco seja ouvido em qualquer lugar do mundo e seja reconhecida sua origem brasileira''. Os próprios temas desenvolvidos nas letras reforçam a proposta trazendo referências ao sincretismo religioso, à graça da mulher brasileira e até à desigualdade social do País.
De acordo com eles, o projeto foi tão catalisador que gerou repertório suficiente para um outro CD, um ''Samba Fusão 2''. Por enquanto, só querem divulgar o disco de estreia. O show de hoje é o primeiro da temporada. O local escolhido não foi aleatório. ''Foi no palco do Valentino que fiz minha primeira apresentação com o Chaminé Batom. Foi ali também que fiz meu primeiro show como cantora. É um bar que faz parte de minha história'', diz Lia.
Depois do show, o CD estará à venda no próprio bar, na Companhia do Papel e na Livrarias Porto.
Serviço
- Samba Fusão. com Lia Cordoni
Quando - Hoje, 23h
Onde - bar Valentino, em Londrina
Quanto - R$ 12
Mais informações - (43) 3348-0791


