Muito mais que areias no Atacama
Se a sua idéia de deserto é feita de monótonas areias sem-fim, prepare-se para rever o conceito. Na região de San Pedro de Atacama, a paisagem muda de maneira surpreendente. Além de dunas, vulcões, reservas minerais, gêiseres, rios, fontes termais e estranhas esculturas na crosta terrestre afloram à sua frente como que num passe de mágica.
Conhecer tal diversidade é descobrir a graça do território mais árido do mundo. É poder se sentir distanciado da Terra e da compreensão ''careta'' de deserto. No dialeto das tribos andinas pré-colombianas que aqui viviam, Atacama significaria ''fim do mundo''. É fácil imaginar por quê.
''Viu um dinossauro?'', brinca o guia, apontando para uma formação no morro que faz lembrar o dorso do animal jurássico. E a caminhada segue entre paredões com brilho mineral na chamada Cordilheira do Sal.
Durante alguns instantes, experimenta-se a sensação de estar pisando em vidro, num terreno totalmente desconhecido. Na verdade, são cristais de gesso (sulfato de cálcio).
É nessa rica cordilheira que se situa outra maravilha da natureza local, o Vale da Lua. Como sugere o nome, o lugar se assemelha à superfície lunar. Um vazio que transborda energia. Nem fauna nem flora do altiplano. Só você, e o pequeno grupo ''explora'', deixando seus rastros pela depressão rodeada de dunas e bizarras esculturas talhadas com a erosão causada pelo vento e pela água.
Sinal de que houve vida por essas bandas no passado atacamenho fica evidente ao vislumbrar Pukará de Quitor, uma fortaleza inca. Datada do século 12, construída com pedra e terra, foi palco de uma batalha com os espanhóis em 1540. Do alto, tem-se a bela visão do Rio San Pedro.
Mas o maior espetáculo da região atende pelo nome de Salar de Atacama, responsável por 40% das reservas mundiais de lítio. Imperdível ver o marzão de sal, com 300 mil hectares, que mais parece neve. Bem no centro, lagoas habitadas por três espécies de flamingos (de James, andino e chileno), todas protegidas por uma reserva natural. E a imponente Cordilheira dos Andes, com seus vulcões pintando o cenário de fundo. Paisagem assim você nunca viu.
Suspire, então, pois a próxima atração levará às alturas, literalmente: os Gêiseres del Tatio. O contato de um rio subterrâneo com magma vulcânico dá origem aos fortes jatos de água fervente e vapores que desenham o céu. Repleto de poços, o lugar fica a 4.300 metros de altitude. A melhor hora para presenciar o show natural é ao amanhecer, quando os gêiseres estão mais ativos.
Dá vontade de entrar na água, mas guarde o desejo para Termas de Puritama. O local, propriedade do Hotel Explora, traz uma sucessão de piscinas naturais entre rochas, interligadas por deques. É então que o visitante consegue voltar, de fato, à realidade. Nada de reclamar. Simples cabines com vestiários e uma charmosa estrutura de bar à beira da água dão conta da mordomia terrestre no deserto. Então, uma taça de Chardonnay ou o clássico pisco sour vêm para brindar o inimaginável.





