Muito barulho por nada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de junho de 2000
Celso Mattos de Londrina 
Confesso que sempre fui fã de Kevin Smith. Um cineasta jovem, descolado e com idéias inovadoras. Seus filmes anteriores O Balconista, Barrados no Shopping e Procura-se Amy estão aí para comprovar esta premissa. Mas Dogma, seu quarto longa-metragem, deixou um pouco a desejar. Na época de seu lançamento nos cinemas, o filme causou muita polêmica. Na pré-estréia em Nova York, centenas de pessoas acotovelaram-se em frente ao cinema com cartazes pedindo que Dogma fosse banido.
Tudo isso porque o filme ousa afirmar que Deus é uma mulher, que a Virgem Maria teve outros filhos depois de Cristo e que existe um décimo terceiro apóstolo que foi excluído da bíblia porque era negro. A partir dessa premissa, Kevin Smith escreveu um roteiro no qual joga no mesmo caldeirão bom humor, ultraviolência e uma tonelada de referências da cultura pop de cara é possível identificar pedaços de Guerra nas Estrelas e das séries O Incrível Hulk e O Homem de Seis Milhões de Dólares.
Essa mistura de referências e cenas, nem sempre de bom gosto, acabam confundido a cabeça do espectador. Dogma mostra a jornada de dois anjos renegados, Loki (Matt Damon) e Bartleby (Ben Affleck) para voltar ao Paraíso. Ao mostrar que Deus errou quando expulsou a dupla do céu, o filme coloca em xeque a verdade absoluta: Deus é infalível. Para impedir a volta dos anjos, o serafim Metratron (Alan Rickman) pede a ajuda de uma mortal, Bethany (Linda Fiorentino), que trabalha em uma clínica de aborto.
Ao contrário de outros filme que também provocaram a ira da igreja como A Última Tentação de Cristo, Smith preferiu mostrar tudo como uma grande brincadeira e o excesso de piadas e tiradas pops acabou se sobrepondo aos questionamentos religiosos. O resultado, é um filme mediano que não traz nenhuma reflexão mais profunda sobre os valores do Cristianismo. Lançamento da Paris Filmes. Duração: 100 minutos.
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