Muito amor e pouco sexo em Veneza
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de setembro de 1997
Kelly Velásquez France Presse 
Muito amor e pouco sexo é o que se vê na maioria dos filmes em concurso apresentados até agora no 54ºFestival de Cinema de Veneza. Na metade do festival, quando já se passaram sete dias, pode ser feita uma primeira avaliação da importante mostra européia, que terminará no próximo sábado.
Dos 18 filmes em concurso, 14 já foram projetados e pode-se dizer que o tema das complexas e indefiníveis relações entre homem e mulher, dos perigosos jogos de sedução em torno do ser humano, dominam este festival.
Nesta mostra, foram vistos inúmeros protagonistas arrastados por um amor doentio, como no norte-americano Niagara, Niagara, de Bob Gosse, e no franco-belga Le combat des fauves (Combate selvagem) de Benoit Lamy.
Ao contrário da tendência dos últimos anos, poucos filmes mostram cenas de sexo, particularmente eróticas ou inovadoras, como se os excessos a que o público foi submetido tivessem esgotado e desgastado a possibilidade de expressar com imagens o amor físico entre homem e mulher.
Muito amor e pouco sexo é em especial o denominador comum dos filmes do festival, com diferentes ritmos, estilos, técnicas e ambientes. Junto com o tema do amor, aparece também o humor.
Segundo os organizadores, foram vendidos mais de 30 por cento dos ingressos em relação ao ano passado e o diretor da mostra, Felice Laudadio, acertou com Jack Valenti, representante das poderosas casas de produção dos Estados Unidos, que Veneza seja o trampolim de lançamento na Europa para as estréias dos filmes produzidos pelos majors.


