‘‘Não posso evitar o fato de que meus quadros não sejam vendáveis. Mas virá o tempo em que as pessoas verão que eles valem mais que o preço da tinta’’, quando Vincent Van Gogh disse essa profética frase, não podia imaginar que um dia suas telas valeriam fortunas equivalentes a US$ 100 milhões. O filme ‘‘Van Gogh - Vida e Obra de um Gênio’’, dirigido por Robert Altman, começa com um leilão de arte realizado em 1987, no Christie’s London, quando o quadro ‘‘Os Girassóis’’ foi vendido por US$ 39,85 milhões.
Com um corte brusco de cena, o diretor salta do leilão para um quarto sombrio e imundo, onde o pintor encontra-se confinado todo sujo de carvão e com cara de maluco, discutindo com seu irmão Theo, o único da família que acreditava em sua arte. Nunca exibido nos cinemas brasileiros, o filme foi produzido em 1990, mas só agora chega às locadoras. Pertence a uma fase difícil da carreira de Altman, quando muitos acreditavam que ele estava liquidado em Hollywood, mas que logo foi resgatado pelo sucesso de crítica e público de ‘‘O Jogador’’, que significou para o cineasta a força de um recomeço.
‘‘Van Gogh - Vida e Obra de um Gênio’’ tem interpretações extraordinárias. Tim Roth vive totalmente o papel. O ator representa encurvado, com olheiras, passando todo o tormento no olhar. Paul Rhys é Theo, igualmente frustrado, exibindo uma intensidade febril em tudo o que faz. Além de cuidar do irmão, enfrenta também suas dores pessoais, como o fato de ser sifilítico. Tendo como pano de fundo a sólida e mística amizade entre os dois irmãos, o filme revela o lado mais íntimo do pintor, como seus amores pelas prostitutas, a ternura pelas crianças, o alcoolismo e os acessos de loucura na produção dos seus mais famosos quadros.
Sem subterfúgios, Robert Altman expõe as amarguras e frustrações de um artista na busca desesperada pelo reconhecimento e o eterno conflito entre a arte e o comércio. Equivalente a uma tela impressionista, o filme tem uma fotografia impecável, ressaltando o amarelo dos campos de girassóis e de trigo que retrata a força emotiva das pinturas de Van Gogh. Fugindo às biografias convencionais, o cineasta procurou mostrar o pintor como um homem comum, frustrado com sua arte e com a hipocrisia da sociedade.
Duração: 135 minutos.

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