Muito além do sexo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de maio de 2001
Celso Mattos De Londrina 
O cineasta francês Jean-Jacques Zilbermann é pouco conhecido no Brasil e seus filmes idem. Realizador de apenas quatro longas-metragem, o diretor se destaca por dar títulos poucos convecionais aos seus trabalhos como, por exemplo, Nem Todo Mundo Teve a Chance de Ter Pais Comunistas, que não foi lançado em vídeo no Brasil. Entretanto, para quem desejar conhecer a obra deste francês, acaba de chegar às locadoras Aqui Entre Nós, cujo título original é LHomme cEst une Femmme Comme les Autres (O Homem é Uma Mulher Como as Outras).
É um filme gay, como o próprio título em francês sugere. Porém, seu grande trunfo é, justamente, superar esse rótulo. Sem altos vôos estéticos ou inovações narrativas, Aqui Entre Nós é apenas um filme humano, o que já é uma proeza nos dias atuais. Com um elenco perfeito e situações descritas com economia e segurança, o longa nos remete aos melhores momentos de Woody Allen.
Apesar de não ser um grande filme, comporta observações importantes não só sobre a diversidade sexual, mas sobre os sentimentos que prescindem do sexo. Simon (Antoine de Caunes) é um músico, judeu e homossexual que vai ao casamento do primo para confessar seu amor por ele e pedir um último beijo. A mãe de Simon, mesmo sabendo da opção sexual do filho, não desiste de encontrar uma noiva para ele, com a única finalidade de perpetuar o nome da família. Mas eu sou gay mamãe, contesta Simon. Mas isso não é definitivo, rebate a mãe.
Para não estragar as surpresas do filme e, ao mesmo tempo atiçar a curiosidade sobre essa história atípica, vale dizer que Simon se casa, mas logo conhece o irmão caçula da mulher que numa noite lhe confessa ser gay, mas esconde esse segredo porque o pai que é um judeu ortodoxo o mataria se descobrisse e, para complicar, fica sabendo que o primo por quem sempre foi apaixonado se divorciou da mulher. Há delicadeza e tristeza no final de Aqui Entre Nós, um filme repleto de sutilezas, humor e surpresas. Lançamento da Cult Filmes. Duração: 96 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
ReproduçãoDocumentário mostra uma parte do Holocausto pouco conhecida
Nos Braços de Estranhos
Vencedor do Oscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem, Nos Braços de Estranhos conta uma parte do Holocausto pouco conhecida. No início da ascensão do Nazismo, mas de 10 mil crianças judias tiveram que deixar a Alemanha para se refugiar na Inglaterra único país que aceitou receber crianças para que elas não fossem levadas juntos com os pais para os campos de concentração.
Partindo de fotos de arquivo e depoimentos das crianças que hoje estão com uma média 70 anos, o documentário é de um valor histórico impressionante. O filme mostra realisticamente como foi difícil para os pais enviarem seus filhos para um país estranho sem a certeza de que voltariam a vê-los novamente. A maioria, realmente, não viu. Além disso, o documentário revela as dificuldades das crianças em se adaptarem às novas famílias e a saudade que sentiam de seus pais. Nos Braços de Estranhos é um documentário imperdível!Lançamento da Warner. Duração: 118 minutos.
ReproduçãoA Guerra Civil Americana é o foco desta produção mediana de Ang Lee
Cavalgada com o Diabo
Antes de realizar o premiado O Tigre e o Dragão, o diretor Ang Lee fez Cavalgada com o Diabo, um filme que passou despercebido da maioria do público. O foco da história é a Guerra Civil Americana e mostra como dois amigos de infância Jake (Tobey Maguire) e Jack (Skeet Ulrich) se identificaram com a causa sulista e passaram a usar suas habilidades para com armas e cavalos para combater a união Norte.
Agn Lee tem uma capacidade incrível de nunca ser repetitivo em seus filmes, mas desta vez ele errou a mão. A fita é longa demais, lenta e pouco interessante. Na verdade, um amontoado de clichês embalado em belas imagens. Porém, a direção é segura e o elenco está afinadíssimo. Cavalgada com o Diabo é a prova de que até os bons diretores erram, e feio. Lançamento da Imagem. Duração: 138 minutos.


