O cineasta francês Jean-Jacques Zilbermann é pouco conhecido no Brasil e seus filmes idem. Realizador de apenas quatro longas-metragem, o diretor se destaca por dar títulos poucos convecionais aos seus trabalhos como, por exemplo, ‘‘Nem Todo Mundo Teve a Chance de Ter Pais Comunistas’’, que não foi lançado em vídeo no Brasil. Entretanto, para quem desejar conhecer a obra deste francês, acaba de chegar às locadoras ‘‘Aqui Entre Nós’’, cujo título original é ‘‘L’Homme c’Est une Femmme Comme les Autres’’ (O Homem é Uma Mulher Como as Outras).
É um filme gay, como o próprio título em francês sugere. Porém, seu grande trunfo é, justamente, superar esse rótulo. Sem altos vôos estéticos ou inovações narrativas, ‘‘Aqui Entre Nós’’ é apenas um filme humano, o que já é uma proeza nos dias atuais. Com um elenco perfeito e situações descritas com economia e segurança, o longa nos remete aos melhores momentos de Woody Allen.
Apesar de não ser um grande filme, comporta observações importantes não só sobre a diversidade sexual, mas sobre os sentimentos que prescindem do sexo. Simon (Antoine de Caunes) é um músico, judeu e homossexual que vai ao casamento do primo para confessar seu amor por ele e pedir um último beijo. A mãe de Simon, mesmo sabendo da opção sexual do filho, não desiste de encontrar uma noiva para ele, com a única finalidade de perpetuar o nome da família. ‘‘Mas eu sou gay mamãe’’, contesta Simon. ‘‘Mas isso não é definitivo’’, rebate a mãe.
Para não estragar as surpresas do filme e, ao mesmo tempo atiçar a curiosidade sobre essa história atípica, vale dizer que Simon se casa, mas logo conhece o irmão caçula da mulher que numa noite lhe confessa ser gay, mas esconde esse segredo porque o pai que é um judeu ortodoxo o mataria se descobrisse e, para complicar, fica sabendo que o primo por quem sempre foi apaixonado se divorciou da mulher. Há delicadeza e tristeza no final de ‘‘Aqui Entre Nós’’, um filme repleto de sutilezas, humor e surpresas. Lançamento da Cult Filmes. Duração: 96 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS






ReproduçãoDocumentário mostra uma parte do Holocausto pouco conhecida









Nos Braços de Estranhos
Vencedor do Oscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem, ‘‘Nos Braços de Estranhos’’ conta uma parte do Holocausto pouco conhecida. No início da ascensão do Nazismo, mas de 10 mil crianças judias tiveram que deixar a Alemanha para se refugiar na Inglaterra – único país que aceitou receber crianças para que elas não fossem levadas juntos com os pais para os campos de concentração.
Partindo de fotos de arquivo e depoimentos das crianças que hoje estão com uma média 70 anos, o documentário é de um valor histórico impressionante. O filme mostra realisticamente como foi difícil para os pais enviarem seus filhos para um país estranho sem a certeza de que voltariam a vê-los novamente. A maioria, realmente, não viu. Além disso, o documentário revela as dificuldades das crianças em se adaptarem às novas famílias e a saudade que sentiam de seus pais. ‘‘Nos Braços de Estranhos’’ é um documentário imperdível!Lançamento da Warner. Duração: 118 minutos.





ReproduçãoA Guerra Civil Americana é o foco desta produção mediana de Ang Lee








Cavalgada com o Diabo
Antes de realizar o premiado ‘‘O Tigre e o Dragão’’, o diretor Ang Lee fez ‘‘Cavalgada com o Diabo’’, um filme que passou despercebido da maioria do público. O foco da história é a Guerra Civil Americana e mostra como dois amigos de infância Jake (Tobey Maguire) e Jack (Skeet Ulrich) se identificaram com a causa sulista e passaram a usar suas habilidades para com armas e cavalos para combater a união Norte.
Agn Lee tem uma capacidade incrível de nunca ser repetitivo em seus filmes, mas desta vez ele errou a mão. A fita é longa demais, lenta e pouco interessante. Na verdade, um amontoado de clichês embalado em belas imagens. Porém, a direção é segura e o elenco está afinadíssimo. ‘‘Cavalgada com o Diabo’’ é a prova de que até os bons diretores erram, e feio. Lançamento da Imagem. Duração: 138 minutos.

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