Muito além do jardim
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de junho de 2010
Bruno Maffi<br>Reportagem Local 
Relatar as experiências pessoais e de outras pessoas envolvidas com o projeto Universidade sem Fronteiras. Essa é a proposta do livro de Lygia Puppato, ''Muito além do jardim''. A bióloga e ex-Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, (Seti), procurou reunir depoimentos de alunos, profissionais recém formados, professores e membros da comunidade, para uma troca de vivências, relacionadas ao desejo de uma menor desigualdade social.
''Eu acredito que é possível ver universidades públicas articuladas com movimentos sociais, contribuindo com o desenvolvimento das regiões onde estão inseridas'', explica a professora, que define a essência da obra como a busca de uma nova visão sobre as esferas sociais. ''O projeto Universidade sem Fronteiras mudou nossa maneira de pensar. Não só dos professores e alunos, mas também da sociedade envolvida, percebemos um maior comprometimento entre ambos os lados.
O Universidade sem Fronteiras foi lançado em 2007 e já conta com mais de 600 projetos de extensão universitária em 280 municípios do Estado. Lygia vivenciou cada etapa do programa.''Dei esse título ao livro porque não ficamos apenas em um projeto de extensão. Buscamos despertar os sonhos das pessoas. Relembrar que é possível um país diferente, com menos desigualdade, com menos violência e exclusão social.''
Um destaque, escolhido pela autora como convite à leitura, é o depoimento da agrônoma Maria Helena, que trabalhou com produtores de maracujá em Curumbatai do Sul. ''Ela conta que aprendeu mais que ensinou. Que as lições de vida dos pequenos produtores mudaram toda sua percepção de vida.''
Segundo Lygia, relatos como esse provam como as instituições públicas podem e devem retornar com conhecimento e compromisso, o que os cidadãos investem com seus impostos.
''O livro mostra, na prática, o encontro do conhecimento científico com a sabedoria popular, da universidade com a sociedade, do poder público com quem dele mais precisa. E revela um Paraná que não se vê só de olhar no mapa'', conclui Lygia.


