Muito além do folclore
Olhar e descobrir as nuances dos remanescentes Pataxós. A busca por esta identidade indígena possivelmente perdida está na série de 60 fotos em preto-e-branco, Pataxó: um índio no espelho, conduzidas pela lente da curitibana Milla Jung. A mostra será aberta hoje, a partir das 20 horas na sala José Antônio Theodoro, na Secretaria Municipal de Cultura (ao lado da Concha Acústica), com entrada franca.
Para além do mero enfoque fotográfico, Jung registrou depoimentos e músicas dos índios que habitam o extremo sul da Bahia, próximos a Porto Seguro. Pataxó: o índio no espelho foi realizada em co-autoria com o músico Michael Tulkop, que também compôs uma trilha musical que ambientará a exposição.
O projeto de retratar o cotidiano dos índios Pataxós captou recursos por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, contando também com o patrocínio da Telepar Brasil Telecom. O objetivo da série de fotos, segundo Jung, era avançar muito além do folclore e das cenas idílicas que povoam o imaginário do brasileiro.
A realidade dos pataxós, segundo o registro de Jung, mostra uma condição perpetuamente desoladora: a contínua perda de suas raízes, cada vez mais confrontadas com as maravilhas do Ocidente tecnologia, religiões, atrativos financeiros. Em algumas fotos, os índios acabam por representar a si mesmos, em uma farsa unicamente voltada para os lucros do turismo local. A perda desta identidade, o apego ao mundanismo e a falsa representação estão na mostra que permanece até 10 de abril.
Pataxó: um índio no espelho, exposição da fotógrafa Milla Jung. De hoje até dia 10 de abril na José Antônio Theodoro, na Secretaria Municipal de Cultura de Londrina (Praça Primeiro de Maio, 110). Horário de visitação: de segunda a sexta-feira, das 8 às 12 horas, e das 14 às 17 horas. Entrada franca.





