Desde criança, o biólogo colombiano Hernán FandiÀo-MariÀo, 54 anos, gostava de desenhar animais. Entre seguir a carreira de artista plástico e fazer biologia, acabou optando pelo segundo caminho, mas não abandonou a arte de desenhar. Sensível, se incomodava com os livros sobre os morcegos que ilustravam apenas o rosto desse mamífero, ainda temido por muitos. ''Decidi que eles também tinham o direito de ter o corpo todo desenhado, inclusive o seu movimento do võo. Era uma questão de respeito pela espécie'', afirmou o professor.
Atuando na área de etologia na Universidade Estadual de Londrina (UEL), desde 1978, onde estuda o comportamento animal, FandiÀo-MariÀo se emociona quando o assunto são os animais. ''Tento dar o máximo de vida ao desenho para que as pessoas tenham o desejo de ver o animal vivo, colorido, e assim, consequentemente, de lutar pela sua preservação'', comentou.
É dele a arte de vários cartazes de congressos de biologia da UEL e de outras universidades. A capa do livro ''Mamíferos do Brasil'' foi de sua autoria. Para confeccioná-la utilizou as técnicas de colagens, além de acrílico e giz-pastel sobre duratex. Já para o livro sobre os mamíferos do Paraná, lançado em fevereiro, fez as ilustrações dos animais utilizando a técnica de grafite em papel vegetal.
Perfeccionista, busca retratar em preto-e-branco os mais variados tipos de penugens e pelagens dos animais que aborda, conseguindo valorizar a textura no desenho. ''Nas minhas pesquisas, descobri que o papel vegetal, em contraste com a luz também causava um efeito visual interessante, e chego a desenhar dos dois lados da folha para conseguir o resultado desejado, principalmente quando tenho detalhes na cor branca. Desenho os músculos de um lado e a pelagem do outro, por exemplo'', explicou o biólogo, que se orgulha de também ser chamado de artista plástico.
Outro detalhe, é que costuma ilustrar próximo aos desenhos de animais objetos como um cantil, um par de botas e até um canivete, como referências populares, para que as pessoas possam ter uma noção mais próxima da realidade do tamanho do animal. ''Ficava incomodado com aquelas 'reguinhas' de escala que normalmente acompanham esse tipo de desenho científico'', falou.
Feliz com o trabalho de elaborar imagens capazes de surpreender pela sua harmonia, riqueza de conteúdo e pelo estímulo de ''enxergar'' de outra maneira os animais, não ficando preso apenas à técnica de ''copiar a realidade'', FandiÀo-MariÀo destaca um das lições ao entrar em contato com cada animal selvagem que se propõe a desenhar: ''É como se eles me falassem: 'olha aqui, eu estou neste planeta tanto quanto você e carrego uma herança tão antiga quanto a sua, tenho meus próprios hábitos, sei muito bem me virar neste mundo, não fico filosofando sobre a existência, mas tiro o melhor dela a cada instante; olha ali a minha namorada, tenho tudo que preciso, não fico enrolado com depressões e corro mais rápido que você'''.
Faz parte dos projetos do professor criar uma disciplina de desenho científico na universidade e os interessados em saber mais sobre o seu trabalho ou em convidá-lo para dar uma palestra em escolas, podem entrar em contato pelo telefone (43) 3325-6670 ou pelo e-mail [email protected]. (A.P.N.)

mockup