Assim que terminou de gravar a novela ''O Clone'', Solange Couto esperou por um convite da Globo para renovar contrato. O tempo passou e o convite não aconteceu. Por isso mesmo, a atriz não titubeou em aceitar a proposta da Rede TV! para apresentar um programa feminino. Mesmo sem qualquer experiência no ramo, topou o desafio de comandar o ''Bom Dia Mulher'', ao lado do jornalista Ney Gonçalves Dias e da ''personal trainer'' Solange Frazão. ''Não sou mulher de ter medo de novidade. Além disso, o formato do programa permite informalidade. Se o Ney tropeçar no estúdio, serei a primeira a rir'', avisa.
Mal assinou contrato, Solange já fez algumas exigências. As principais delas disseram respeito ao excesso de televendas e à ''lavagem de roupa suja''. Ela diz que não gostaria de ver o ''Bom Dia Mulher'' se transformar numa ''feira livre'' de produtos quase miraculosos. Nem tampouco explorar bate-boca sob o pretexto de reconciliar vizinhos e familiares. Com esse estilo ''light'' e informal, o ''Bom Dia Mulher'' ainda não passou do modesto um ponto no Ibope. ''Se a Rede TV! estabeleceu meta de audiência, não me avisou. Mas 5 pontos é razoável, 10 é coisa de louco e 15, então, é foguete e champanha para todo lado!'', diverte-se a atriz.
Que avaliação você faz de sua atuação como apresentadora?
O que mais chamou minha atenção foi justamente o caráter informal do programa. Se o Ney tropeçar e cair no estúdio, serei a primeira a rir. O programa não tem qualquer compromisso com a formalidade. E nem poderia... Além de informal, o programa é voltado para a classe popular. Nele, eu não falo nódulo no seio e sim caroço no peito. Por essas e outras, estou me sentindo em casa.
A apresentadora Leonor Corrêa, do ''A Casa É Sua'', já disse que não concorda com algumas matérias exibidas no programa. O que você nunca vai deixar ser exibido no ''Bom Dia Mulher''?
Detesto baixaria. Acho essa exposição, que alguns programas fazem, da vida alheia completamente desnecessária. A pessoa tentar resolver um problema é uma coisa. Mas duas pessoas se agredirem física e verbalmente é outra completamente diferente. Prefiro nem participar disso. Essa moça que matou os pais, por exemplo, virou notícia no país inteiro. Dá para ignorar? É claro que não! Mas já pedi para não deixarem uma pessoa assim ao alcance do meu pé. Senão, o primeiro chute vai ser o meu. Posso até ser presa, mas não tolero um absurdo desses. Além disso, também não gosto de televendas. Não tenho nada contra quem faz, mas acho um porre...
Mas a média de um ''merchandising'' a cada 15 minutos não é um tanto alta?
Algumas pessoas podem até perguntar: ''Será que a Solange não gosta de dinheiro?''. É claro que gosto. Mas esse negócio de vender, vender e vender torna o programa chato. ''Compre esse tempero hoje mesmo!'' ou, então, ''Esse abridor é realmente mágico!''. Nunca vou anunciar um produto em que não acredito.
Você fez sucesso como a Jura de ''O Clone''. Acredita que pode repetir esse sucesso como apresentadora do ''Bom Dia Mulher''?
Ninguém imaginou que a Jura fosse fazer aquele sucesso todo. Nem eu, nem o Jayme, nem a Glória. Para falar a verdade, ninguém imaginou que a novela fosse explodir. Foi um baita de um feliz encontro. Mas quero avisar que quem apresenta o ''Bom Dia Mulher'' não é a Jura e sim a Solange Couto. Acontece que somos muito parecidas. A Jura é a Solange ao cubo. Mas não tenho aquele ''peito'' todo. Até que gostaria...
Seis meses após o fim de ''O Clone'', as pessoas ainda fazem referências à Jura nas ruas?
Todo santo dia. Até hoje, ouço o bordão ''Né brinquedo, não!'' nos lugares mais inusitados. Outro dia, fui parar no hospital por causa de um problema com enzimas cardíacas. Quando entrei na UTI, uma paciente cheia de tubos brincou: ''Né brinquedo, não!''. Pensei: ''Puxa, até aqui! Não acredito...''. Outro dia, foi ainda pior. Na igreja de São Judas Tadeu, fui chamada para fazer uma das leituras. Quando desci do altar, ouvi o bordão lá atrás. ''Né brinquedo, não!''.

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