MUITO ALÉM DO BÊ-A-BÁ
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segunda-feira, 20 de março de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Joabe Amaro Caetano, 6 anos, era só alegria ao receber a sua primeira carterinha da biblioteca do Centro Cultural da Zona Norte, em Londrina, e já emprestou o livro ''O Batman e o Ninja''. ''Eu gosto muito de ler e pedi para a minha mãe fazer a carteirinha'', explicou o menino, em fase de alfabetização, que além dos livros indicados pela escola, adora se divertir com outras leituras. Sua mãe, Andréia Aparecida Amaro Caetano, 32 anos, que está terminando o curso de magistério, contou que desde que o filho era bebê tem estimulado nele o hábito da leitura. ''No começo, dava aqueles livrinhos emborrachados que podem ser lidos na hora do banho'', comentou a mãe. Ela relatou que na sua infância não teve a mesma oportunidade que o seu filho está tendo agora. ''Os meus pais não me estimularam a ler e tive muitas dificuldades na escola, principalmente na hora de escrever e interpretar textos'', destacou Andréia. ''Não quero que o meu filho passe por isso também e sempre digo para ele que quem lê mais, fala e escreve melhor. Além de desenvolver o senso crítico'', acrescentou a futura professora.
Um outro bom exemplo de quem já aprendeu a vantagem de investir no hábito da leitura é a estudante Vanessa Silva de Souza, 15 anos, que lê mensalmente cerca de 32 livros oito por semana! Ela afirma que desde criança sua mãe lia histórias para ela, mas que só quando ficou mais velha é que realmente descobriu o prazer de ler. Ao ver os primos com livros emprestados da biblioteca, passou a se interessar pelo assunto, e hoje é com a sua própria carteirinha e mais as de três primos que consegue levar de uma só vez para casa oito livros. ''É um jeito de não ter que vir aqui toda a hora para trocar os livros'', relatou Vanessa. Ela já memorizou a posição dos livros e não gosta quando não encontra o que está procurando. Prefere ler os livros por temas e no momento está na seção dos romances. A próxima seção é composta de livros do Stephen King, entre outros. ''A minha mãe, às vezes, até me dá bronca porque deixo de ajudar no serviço de casa para poder ter mais tempo para ler. Mas eu adoro ler e acho as histórias dos livros bem mais interessantes do que aquilo que passa na televisão. E, além disso, melhorei em redação e interpretação de texto'', acrescentou.
Vanessa frequenta a Biblioteca Ramal Vila Nova, que fica ao lado de uma bonita praça do bairro. O prédio é menor e o ambiente é mais aconchegante. A biblioteca também faz parte do roteiro da dona-de-casa Cecília Tieko Osawa Fukagawa, 40 anos. Depois de deixar os filhos na escola Lucas, de 6 anos, e Danieli, de 9 anos , ela passa para pegar livros para toda a família. ''As crianças já sabem pedir os livros de sua preferência e se acostumaram em ter em casa o exemplo para a leitura'', ressaltou.
Fã inveterado do hábito da leitura é o aposentado Roberto Issao Otta, 50 anos. A biblioteca é praticamente a sua ''segunda casa'': diariamente, duas vezes ao dia, é para lá que se dirige para ter contato com o universo literário. De manhã, gosta de ler os jornais; à tarde, mergulha nos livros. ''Leio de tudo; dos clássicos, como Machado de Assis, Castro Alves e Edgar Allan Poe até gibis'', contou. Ele recorda com saudades do tempo em que o avô lia histórias de Gulliver em japonês. ''No sítio, não tinha muito o que fazer, além de ouvir o rádio, e sempre a gente estava procurando livros interessantes e maiores para ler'', citou.
Antes de se aposentar, Ota trabalhava como carpinteiro, mas sempre tinha um livro de bolso (os chamados ''pocket books'') na bolso da camisa. ''Eu acho que todo mundo deveria ler. É gostoso e acalma. A gente viaja...'', aconselhou.
E uma prova de que o universo da leitura encanta cada vez mais é o total de público que compareceu à Bienal do Livro de São Paulo que terminou no último domingo associado ao aumento das vendas: ao todos foram 811 mil visitantes, sendo a presença maciça do público infanto-juvenil um dos principais fatores para o sucesso do evento (leia mais sobre o assunto na página 6).


