Segundo o arcebispo Dom Albano Cavallin, que ouviu lideranças civis, políticas e religiosas de Lerroville, em reunião informal, no decorrer das atividades propostas pela ''Páscoa Juvenil'' do colégio Marista, ''se dependesse deles, não queriam cesta básica, mas sim geração de empregos''. Na opinião de Dom Albano, o assistencialismo é bem-vindo, ''já que resolve um problema emergencial'', mas a preocupação da comunidade estende-se mais além, quando problemas, como o fato de o distrito não contar mais com um subprefeito, trará repercussões significativas. ''Eles me disseram'', relata Dom Albano, ''que a situação de Lerroville está pior do que a de Apucaraninha - a reserva indígena -, onde, pelo menos, existe um cacique''.
De saúde a infra-estrutura, passando pela polícia, para desembocar na falta de emprego, as dificuldades da comunidade se acumulam. ''Propus levar ao prefeito de Londrina, juntamente com três representantes da liderança local, as reivindicações ouvidas aqui'', comenta Dom Albano. ''Eles querem cumprir sua parte'', afirma, ''é preciso que a sociedade cumpra a sua''. Nessa perspectiva, a iniciativa do colégio Marista é avaliada como extremamente positiva. ''Trata-se de um modelo de pedagogia'', analisa Dom Albano, ''que leva os alunos a conhecerem a realidade''. Em sua opinião, seria bom que todas as escolas imitassem esse ''gesto desafiador''. Assim, ''os futuros médicos, advogados, os profissionais, em geral, aprenderiam não só a ganhar dinheiro, mas também a servir à comunidade''.

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