Há cinco anos, Rochele Maria Borelli, de 26 anos, decidiu mudar sua fisionomia. Colocou na testa implantes do tipo 3D, que produzem o efeito de dois pequenos chifres. ''Gostava de ver a reação da galera na rua. Acho legal mexer um pouco com o que as pessoas vêem todo o dia. Fazer enxergarem coisas diferentes'', conta.
Adepta das chamadas ''modificações corporais'', movimento que passou a ser observado nos grandes centros urbanos na década passada, a estudante também tem três peças de metal implantadas no peito, além de alargadores de orelha, piercings e tatuagens. ''Faço pela estética. Acho bonito'', explica a jovem, que depois de um tempo passou a cobrir os implantes da testa com uma franja para não chamar tanto a atenção. ''Na faculdade ninguém sabia. Outro dia um colega meu viu e foi a atração, todos queriam ver'', lembra.
Rafael Lima tinha 14 anos quando viu na televisão uma reportagem na qual um brasileiro fazia o que se costuma chamar de ''suspensão'', prática que consiste em aplicar ganchos de metal da pele através dos quais o corpo é içado em alturas variadas. Foi o primeiro contato com uma das atividades apreciadas pelos adeptos das chamadas ''modificações corporais''.
Hoje aos 26 anos, o tatuador ostenta uma escarificação (cicatriz produzida com bisturi) em forma de estrela na barriga, dois implantes transdérmicos na testa (nos quais peças de metal são colocadas sob a pele com uma parte à mostra), um implante no braço (chamado de 3D porque produz um efeito de relevo na pele), além de alargadores nas orelhas, tatuagens e piercings. ''A modificação corporal é mais um estilo. Eu sou muito vaidoso. As pessoas mais vaidosas que eu conheço são as que têm modificações'', explica Lima, que orgulha-se em contar que já ficou suspenso pelos joelhos a uma altura de 60 metros, com equipamento de segurança.
No caso do cobrador de ônibus Helton Luis de Ramos, de 25 anos, os implantes 3D no braço ajudam a incrementar a tatuagem em forma de demônio. ''Assim os olhos do desenho ficam saltados para fora'', justifica Ramos, que também tem implantes transdérmicos na testa, outras 35 tatuagens e é adepto das suspensões pelas costas. ''A adrenalina que você sente ali é inexplicável'', garante. Por causa da profissão, Ramos se depara com todo o tipo de reação aos seus adornos. ''Muitos estranham. Alguns ficam olhando, outros mostram quando têm também'', afirma. ''Tem que pensar bem porque quando você mexe não volta mais. Precisa pensar no que vai fazer para não se arrepender depois'', ressalta Ramos.
Rochele também defende que a decisão não deve ser tomada com pressa. ''Tenho amigos que com o tempo acabaram se arrependendo. É uma coisa para pensar com calma'', alerta a jovem. O mesmo é recomendado por Rafael Lima. ''A partir do momento que você faz, expõe a sua imagem. Se não estiver certo disso não deve fazer porque só vai se frustrar. O interessante é saber lidar com isso'', observa.

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