Muito além de Genipabu...
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de maio de 1999
Da Redação 
O litoral norte potiguar é a menina dos olhos de investidores e dos próprios turistas que visitam Natal. Os primeiros geralmente são movidos pelo desenvolvimento turístico. Já os visitantes se deixam envolver pela magia desse trecho litorêneo que tem a paz como maior referencial.
As dunas de Genipabu, com seu vai-e-vem de buggies, seduz à primeira vista, mas não é atração única. O clima rústico e semi-habitado de quase todo o litoral norte é, por si só, o principal motivo do deslumbramento dos turistas.
ReproduçãoTouros: município com maior extensão litorânea do Rio Grande do NorteA Redinha, ainda pertencente a Natal, é o ponto de partida para um roteiro que pode ser feito no mesmo dia, caso o passeio termine no Cabo de São Roque, o ponto da América do Sul mais próximo do continente africano. Se o turista preferir uma pitadinha de aventura como tempero, a dica é prosseguir até Touros, numa odisséia à beira-mar de quase 60 quilômetros. Os mais desbravadores podem ainda seguir até Galinhos, um típico vilarejo de pescadores, num trajeto de mais de 100 quilômetros. Vale lembrar que a melhor maneira de conhecer o litoral norte é de buggie, cuja rota é bem próxima às primeiras marolas.
Além do Rio Potengi e do mar, a Redinha reserva para o turista um mercado de peixe tão pitoresco quanto interessante. As barracas vendem um tira-gosto que costuma fazer sucesso entre nativos e visitantes: a tapioca com ginga (peixe frito).
Da Redinha à Redinha Nova, o cenário pouco se altera. A cidade de Natal, observada depois do rio, vai diminuindo de tamanho, até que desponta a praia de Santa Rita que, em maré baixa, permite um disputado banho nas piscinas naturais formadas pelos arrecifes. Logo depois de Santa Rita, um cartão-postal começa a se desenhar e o burburinho toma conta de bares e restaurantes à beira-mar. Relaxe e curta: você está em Genipabu.
É impossível fazer turismo em Natal sem conhecer as dunas fixas e móveis de Genipabu. Há passeios para todos os gostos: com ou sem emoção. O malabarismo adrenalítico dos buggies depende sempre do turista. Após o passeio, que só pode ser feito com bugueiro credenciado e dura cerca de uma hora, a melhor opção é prosseguir pelo litoral norte, pelo menos até à praia de Muriú. De Genipabu a Barra do Rio, o carro atravessa o pequeno rio Ceará-Mirim numa balsa de madeira, rudimentar, impulsionada por bambu.
ReproduçãoAs areias coloridas de Tibau: obras de arte nas mãos dos artesãosDe volta à areia, o esplendor recomeça numa sequência de belas praias como Grassandu, Pitangui, Jacumã, Porto Mirim e Muriú. A diferença entre elas está nos hábitos e costumes. Enquanto Pitangui se manteve como colônia de pescadores, a orla das outras praias foi invadida por veranistas natalenses que, de um modo geral, capricharam na arquitetura, sobretudo em Jacumã.
Quem tiver tempo disponível e caso a maré esteja baixa, um passeio de barco até o Buraco da Velha, piscina natural em alto-mar entre as praias de Jacumã e Porto Mirim, pode selar em grande estilo um prazeroso dia no litoral norte.
A esticada até o Cabo de São Roque é quase indescritível. Logo depois de Muriú, o buggie volta a atravessar um riacho, de novo numa balsa, e chega a Barra de Maxaranguape. De lá à esquina do continente são menos de dez quilômetros, sempre pela beira-mar. O que fazer no Cabo de São Roque? Nada, literalmente nada. A ordem lá é tragar da melhor forma o ar puro absoluto, de preferência com um bom mergulho no mar de águas límpidas. Curtir o silêncio, quebrado apenas pelo barulho das ondas, é outro grande programa.
Para os mais dispostos, e com tempo disponível, vale a pena prosseguir. As duas próximas praias, Caraúbas e Maracajaú, reservam passeios de barco fantásticos, com parada em flutuantes e estrutura de equipamentos de mergulho para aluguel. Na sequência, vêm Zumbi, Barra de Punaú e Pititinga, verdadeiros paraísos intocados.
Chegar a Touros é questão de curiosidade e de mais alguns quilômetros bem prazerosos. Trata-se do município com maior extensão litorânea do Rio Grande do Norte. Depois de Touros, São Miguel do Gostoso é uma ótima pedida. Poucas construções, aspecto docilmente selvagem. Aí vem Galinhos, com seu fascínio brejeiro e inocente.
O litoral potiguar se estende, faceiro e magnífico, até Tibau, no município de Grossos, próximo à fronteira com o Ceará. Se a razão é fundamental, a emoção é indispensável. Libere sua agenda e solte-se. É terapia pura. Afinal, nada como o litoral norte potiguar para sair do dia-a-dia convencional e mergulhar num cotidiano de surpresas e de exuberâncias.


