Taumaturgo Ferreira resume numa só palavra sua experiência na novela ‘‘O Cravo e A Rosa’’: sensacional. Na trama de Walcyr Carrasco ele interpreta Januário, um caipira apaixonado pela provocadora Lindinha, personagem de Vanessa Gerbelli. ‘‘Está sendo muito divertido fazer o Januário. Ele é diferente de todos os outros personagens que fiz’’, afirma o ator, que não se surpreendeu ao ser convidado pelo diretor Walter Avancini para interpretar um tipo tão distinto dos típicos malandros urbanos que costumam lhe ser destinados. ‘‘Como o convite partiu do Avancini, eu não estranhei. Ele sempre chama o ator para fazer papéis que outros diretores não chamariam’’, revela. A conhecida postura exigente do diretor não incomoda Taumaturgo, muito pelo contrário. Ele atribui o bom resultado da novela à dedicação total de Avancini. ‘‘Ele dá a vida pelo trabalho e por isso não exige nada de alguém que não exigiria dele mesmo’’, analisa.
A empolgação de Taumaturgo ao falar do trabalho na novela não se refere apenas ao personagem em si, como também aos atores do núcleo com o qual contracena, composto por Eduardo Moskovis, Pedro Paulo Rangel, Ana Lúcia Torres e Vanessa Gerbelli. Ele conta que, desde a primeira vez que se reuniu com eles para passar o texto, percebeu de imediato que todos se entrosariam muito bem. ‘‘A química entre nós é muito boa. Eu já conhecia praticamente todos, mas é a primeira vez que trabalhamos juntos’’, admira-se. Dos quatro atores do núcleo, Vanessa Gerbelli é com quem mais contracena. Mesmo sendo o primeiro papel da atriz na televisão, ele acha que isso não atrapalha em nada o desempenho dos dois nas gravações. ‘‘Não ser conhecido do público é bom em alguns papéis, para não existir nenhum tipo de comparação. No caso da Lindinha isso funcionou, principalmente porque a Vanessa é uma ótima atriz’’, avalia.
Para compor o personagem, Taumaturgo recebeu uma preparação juntamente com os atores do seu núcleo. Eles aprenderam a falar de maneira semelhante, porém sem modificar o jeito particular de cada um dos seus personagens. Foi assim que ele adquiriu o sotaque caipira e engraçado do Januário. Além disso, ele também pesquisou em um material preparado pela produção da novela sobre os costumes, a situação política e os acontecimentos históricos da época. Na parte prática, teve aulas de equitação, aprendeu a fazer queijo e tirar leite de vaca. Apesar de estar adorando fazer um personagem de época, Taumaturgo não se interessa particularmente pela década de 20, em que se passa a trama. ‘‘Não me apego ao passado. Não sou como algumas pessoas que dizem que gostariam de ter vivido em outras épocas. Para mim, o bom mesmo é o presente’’, confidência.
Não é apenas ao passado que Taumaturgo não se apega. Ele também não costuma se envolver com os personagens que interpreta e nem torcer pelo destino deles nas histórias. ‘‘Não sou de perguntar nada e nem de dar idéias em relação a algum papel. Deixo rolar. Para mim é como na vida real, em que a gente nunca sabe o que pode acontecer’’, assume. Mesmo assim, ele não esconde o entusiasmo que sentiu quando soube que Januário pode ser filho do rico fazendeiro Joaquim, vivido por Carlos Vereza. Taumaturgo acredita que vai ter mais destaque na trama quando este mistério for desvendado. ‘‘O Walcyr escreve muito bem, no sentido de não economizar histórias. Em todo o capítulo acontece algo novo e todos os personagens são importantes’’, elogia.
Aos 44 anos de idade e 27 de carreira, o ator paulistano já atuou em aproximadamente 20 novelas. Gostou de praticamente todos os papéis que interpretou, mas tem um carinho especial pelo Urubu, da minissérie ‘‘Anos Dourados’’, pelo Lucas de ‘‘Top Model’’ e, principalmente, pelo Tuca Maia de ‘‘Araponga’’. ‘‘Me diverti muito fazendo esse personagem’’, lembra Taumaturgo, que aproveita todo o seu tempo disponível para se dedicar a pintura, hobby adquirido há três anos. ‘‘Acho legal não ter o compromisso de ser só ator’’, explica, aproveitando para avisar que está preparando uma exposição para acontecer após o término da novela. Como se não bastasse, Taumaturgo ainda é cantor e já fez seis shows este ano, no estilo voz e violão. ‘‘Canto por prazer’’, garante.

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