Muito além das boas idéias
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de abril de 2007
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Abarcando também o cenário independente, Londrina movimenta uma intensa teia de relações quando o assunto é produção cultural. Basta salientar alguns dos principais festivais que constam no calendário de eventos da cidade: teatro, música, jazz, rock, dança, corais, literário, entre outros.
Mas, afinal, ter uma idéia brilhante e boa vontade são suficientes para que projetos vinguem e saiam do papel? O artista sabe ou deve saber lidar com todas as questões (jurídicas, financeiras, de comunicação, planejamento, direito do autor) inerentes a uma produção? Quando o produtor e/ou artista consegue apoio das leis de incentivo municipais, estaduais e federais também é fator preponderante para uma boa realização? A Folha2 conversou com três profissionais da área e abordou estas e outras indagações para compreender como eles enxergam o fazer cultural em Londrina.
Em aspectos quantitativos, há muita atividade artística local, segundo André Guedes, organizador do Londrina Jazz Festival. Por outro lado, o produtor acredita que a qualidade dos eventos é ainda muito baixa. Peca na estrutura que temos disponibilizada na cidade, que não é profissional ainda. Se todo mundo aqui trabalhasse como amador seria de qualidade, mas para um nível profissional, ainda falta muito. Você vê lugares que não estão bem estruturados, que não têm uma boa entrada, sem uma preocupação muito grande com o público, que é um dos principais elementos. Eu vejo apenas uma ou outra produção com qualidade, apontou Guedes.
O produtor esteve à frente do Cabaré do FILO durante sete anos e, em 2007, se prepara para a quarta edição do Londrina Jazz Festival, programado para novembro. Segundo o produtor, o festival não aconteceu no ano passado devido às dificuldades no repasse dos recursos, características de ano eleitoral. Para a realização do evento, Guedes conta com patrocínio da Lei Rouanet e Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura).
Mas, e aquela pessoa que tem boas idéias e iniciativa, porém sem o patrocínio de alguma lei de incentivo à cultura, morre na praia? Infelizmente é assim. Não adianta você só ter um bom projeto se ele não tiver patrocínio. Até que não é tão difícil ter um projeto aprovado. 80% das dificuldades vêm da captação de recursos. É preciso ter uma pessoa certa pra apresentar seu projeto, mostrar que ele é bom, que vai passar sua credibilidade para o patrocinador. Não temos quem faça isso em Londrina. É deficitário, alertou, exemplificando que, se um músico é profissional, muitas vezes ele não exerce domínio sobre a parte burocrática de seu projeto. Aqui, muita gente faz porque tem que fazer, caso contrário, ninguém vai fazer por ele, completou Guedes.


