Muito além da partitura
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quinta-feira, 01 de julho de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Explorar os territórios da livre improvisação é a proposta do músico Rogério Costa que ministra oficina sobre o assunto durante o 24º Festival de Música de Londrina (FML), aberto ontem e que acontece até o dia 17 de julho. Para Costa, o conhecimento do instrumento e a vivência do músico (a sua ''biografia'') formam o que ele chama de ''idioma musical'' e isso acaba impedindo a livre improvisação. ''Na oficina, deveremos reunir um grupo de aproximadamente 16 músicos das mais diferentes formações. Vai ser uma verdadeira 'babel' e a proposta é conseguir ver o que há em comum entre os territórios que eles estão acostumados'', afirmou.
Para o músico, o objetivo principal desse trabalho é o som e não a nota, a melodia, a harmonia ou mesmo a escala como matéria-prima. ''Vamos valorizar 'o fazer música', a produção, e não a reprodução'', disse Costa, que defende uma apuramento quase que ''microscópico'' da música. ''É interessante observarmos, no caso de alguns concertos de música hindu, que chegam a durar 12 horas e são formados pela reprodução de diversos sons'', comentou.
A temática da oficina é o resultado de tese de doutorado de Costa, na área de Semiótica, defendida na USP em 2003, com o título ''O músico enquanto meio e os territórios da livre improvisação''. É a primeira vez que o resultado dessa pesquisa vai ser aplicada em um festival de música.
Há 15 anos integrante do grupo ''Aquilo Del Nisso'' formado por seis músicos que fazem o que definem como 'música brasileira improvisada', Costa também vem se dedicando há dois anos e meio ao grupo de música ''Akronon'' (palavra de origrm grega que significa 'sem tempo'), onde junto com mais dois músicos faz performances com saxofone e flauta. Além disso, Costa, que tem formação em música erudita pela USP, também é professor na mesma instituição.


