Brennand e arte, tudo a ver. Além de abrigar o famoso Museu/Oficina do escultor, o bairro recifense da Várzea guarda outra atração cultural que leva o nome da família. Esta, novíssima na capital de Pernambuco, não é do conhecido artista, e sim do primo empresário. Trata-se da réplica de um castelo europeu, a Pinacoteca do Instituto Ricardo Brennand (IRB), aberta ao público no mês passado.
A novidade faz parte do belo conjunto arquitetônico do antigo Engenho São João, que ocupa uma área de 500 hectares. E abre alas para a realização no Estado de grandes exposições internacionais.
A primeira delas, em cartaz até 24 de novembro, homenageia o passado holandês em Pernambuco: Albert Eckhout Volta ao Brasil 1644-2002. São 24 telas entre paisagens, animais, natureza-morta e retratos do pintor que morou oito anos no País, durante o período de ocupação holandesa. Trazido na comitiva do príncipe Maurício de Nassau em 1637, o artista retratou o Brasil com os nativos do Novo Mundo. Depois que voltou à Holanda, em 1644, o explorador ofereceu as obras como presente ao rei da Dinamarca, Frederico III.
A coleção, inédita por aqui, veio do Museu Nacional de Copenhague (Dinamarca), emprestada pela primeira vez em três séculos pois seriam exibidas na cidade em que provavelmente foram pintadas. Além de admirá-la, o público tem a chance de vivenciar aquilo que o holandês Eckhout viu e provou na terra recém-descoberta.
Na Sala Multimídia, entra-se em contato com cheiros, sons e imagens de uma dança indígena projetada num espaço tridimensional. A performance em questão está na tela Dança dos Tapuias. ''O que queremos é reforçar o momento histórico em que Eckhout esteve no Brasil, da pintura dele e das influências reais que ele recebeu'', afirmou o cenografista francês que desenvolveu a concepção do espaço, Zaven Pare.
A Pinatocoteca do IRB é o início de um poderoso complexo cultural. Terá, ainda, uma biblioteca com cerca de 10 mil livros (entre eles, obras raras do século 17), que está em fase de conclusão. E um museu cujo acervo permanente incluirá armas brancas dos séculos 16 a 19, tapeçaria francesa, mobiliário inglês antigo, armaduras medievais e pinturas de diversos artistas do século 19. Um deles, Frans Post também vindo ao País com Nassau. O museu tem abertura prevista para março do ano que vem.

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