Arquivo FolhaPaulinho da Viola: ‘‘Bebadosamba’’ arrebatou cinco prêmiosA noite do Prêmio Sharp de Música e de Teatro, que aconteceu anteontem, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, brilhou para três estrelas: Rita Lee, Fernanda Montenegro e Paulinho da Viola. As duas, na condição de homenageadas da festa, e o cantor e compositor, como o grande premiado. O disco ‘‘Bebadosamba’’, que Paulinho lançou em outubro do ano passado, ganhou cinco prêmios. O compositor Guinga ficou em segundo lugar, com três premiações.
A entrada do Teatro Municipal se transformou em um palco para os artistas, que eram recebidos pelo promotor do evento, José Maurício Machline, e mais 26 modelos homens da agência Elite. Eles vestiam calça e blusa pretos, e usavam óculos escuros.
Os artistas também fizeram questão de desfilar os seus modelitos. Alguns bastante ousados. Maitê Proença chegou com um vestido marrom - a cor da moda - exibindo um belo decote e uma enorme transparência das coxas para baixo. Para manter a tradição, Elke Maravilha apareceu com um conjunto de casaco e short de veludo preto enfeitados com pedras brilhantes. Detalhe: a atriz usava botas até os joelhos e uma vasta cabeleira prata.
A festa, que teve como mestres de cerimônia a atriz Denise Fraga e vocalista do grupo ‘‘Barão Vermelho’’, Roberto Frejat, durou cerca de duas horas e meia. O espetáculo teve início com o 3º Prêmio Sharp de Teatro. O artista Antônio Nóbrega fez uma apresentação inicial, onde, inclusive, homenageou Fernanda Montenegro. Fernanda, que foi aplaudida de pé pelo público, entrou no palco vestida com um conjunto de calça e blusa, em tons de azul, e interpretou um pequeno trecho da peça ‘‘Dona Doida’’.
Fernanda disse estar feliz com a homenagem e adorar poder dividi-la com a cantora Rita Lee. ‘‘Ela é tão delicada e sensível...’’
Marília Pêra, premiada como a melhor atriz, por ‘‘Master Class’’, se confessou surpresa com a escolha. ‘‘Fiquei toda suada, quase passando mal, quando ouvi o meu nome’’, contou.
‘‘Sensação gostosa’’Após a festa de teatro, começaram a ser entregues os prêmios de música. Paulinho da Viola arrebatou nada menos do que cinco troféus: melhor disco, arranjador, samba, cantor (todos na categoria samba) e melhor projeto visual, de Elifas Andreato, na categoria Especial. Paulinho foi aplaudido de pé por quase toda a platéia, com a exceção de alguns, como Paula Lavigne, mulher de Caetano Veloso.
Paulinho, cujo show ‘‘Bebadosamba’’ estréia em São Paulo, no Tom Brasil, hoje, disse que ficou um pouco tenso e na expectativa. ‘‘É uma sensação gostosa, fiquei muito feliz’’, confessou, agarrado aos troféus. Ele quis fazer, no entanto, uma ressalva: ‘‘Muitos arranjos do disco foram feitos com o Cristóvão Bastos, por isso, divido o prêmio com ele’’.
O compositor Guinga, premiado três vezes á- melhor música (‘‘Chá de Panela’’), na categoria MPB, melhor música instrumental (‘‘Dá o pé, Loro’’) e disco (‘‘Cheio de dedos’’), na categoria instrumental, disse que os troféus fecharam com chave de ouro a sua produção de 1996, que considera a ‘‘mais importante’’ de sua carreira.
Entre uma premiação e outra, houve apresentações para lembrar a carreira e figura de Rita Lee. Joyce, Fernanda Abreu, Zélia Duncan, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, ‘‘Raimundos’’ e Caetano Veloso subiram ao palco para homenagear a roqueira paulista.
Rita Lee, que assistiu ao espetáculo de um camarote, se apresentou no final, ao lado do marido, Roberto de Carvalho - para quem fez uma declaração de amor - e do filho Beto. Vestida com um fraque preto, cantou quatro músicas, entre elas a famosa ‘‘Ovelha Negra’’.
A cantora fez questão de homenagear Fernanda Montenegro de forma original. Depois de recitar a oração da Ave Maria, Rita fez um pequeno discurso: ‘‘Você é a ‘Dona Doida’ da minha banda, a minha Vale do Rio Doce, minha Reforma Agrária’’, falou. ‘‘A sua Amélia não tem a menor vaidade, a sua ‘Chiquita Bacana’ é cada vez mais bacana’’, completou.
No final, Rita recebeu - e reverenciou - Fernanda Montenegro, que entrou no palco com um vestido de tafetá cor de cobre. Como pano de fundo, fotos das duas artistas. Um final chique, digno do talento das duas mulheres.

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