Foram cinco anos sem a presença diante das câmeras desta mulher belíssima e atriz de excelente recursos. Seria ótimo atestar que a espera valeu a pena. Mas não é o caso. Sem aparecer nas telas desde ''Deixe-me Viver'', de 2002, Michelle Pfeiffer, como sempre muito profissional, está de volta num filme menor, uma comediazinha pobre e desbotada que tenta parodiar o bem-sucedido modelo da siticom ''Tal Mãe, Tal Filha''.
Em ''Nunca é Tarde Para Amar'', que estréia hoje (confira a programação de cinema na página 2), a história básica televisiva se repete. A da mulher separada, cerca de 40 anos, com filha adolescente, ambas muito amigas. E uma situação na qual não está bem claro quem é a adulta e quem é a garota, tão facilmente a mãe se deixa levar por sentimentos e impulsos mais próprios dos 15 do que aqueles que seriam mais condizentes a uma quarentona.
No filme, a trama se detém em Rossie (Michelle), roteirista de sitcom dirigida aos adolescentes - vejam só, a arte imita a arte que tenta imitar a vida imitando a arte...ou a vida? Um pouquinho pela idade que alguns consideram mais adiantada, fica fascinanda por Adam (Paul Rudd), ator candidato a um papel na sitcom, menor de 30 e com quem está a fim de sair.
Entra em cena a razão, interpretada por um personagem onírico (Tracey Ullman), espécie de Mãe Natureza e quem aconselha Rossie a manter os pés no chão e a esquecer tal idéia. Mas Rossie atende ao velho conselho de Pascal, aquele do ''coração tem razões, etc, etc'' e à cumplicidade da filha, que torce para que a relação dê certo. Assim, por que não?
Quem dirige esta farsa destemperada é Amy Heckerling, que acredita piamente que a felicidade da heroína se manifesta em sua regressão à infância. Michelle Pfeiffer segue sedutora enquanto o espectador perplexo se questiona por que tanto desperdício. (C.E.L.J.)

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