Muita adrenalina no criativo "Vamos Nessa" que estréia amanhã
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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 29 (AE) - Sincronicidade. Paul Auster não inventou, mas certamente elevou à forma de arte a técnica literária de narrar eventos simultâneos. Influenciou diretores como Jim Jarmush (Mystery Train) e Quentin Tarantino (Pulp Fiction - Tempo de Violência). Ambos fizeram escola no cinema americano. Tarantino está deixando de ser um diretor interessante, agora que só faz bobagens com Robert Rodriguez, mas sua influência permanece. O roteiro de "Vamos Nessa", que estréia amanhã (30), é puro Tarantino teen: um punhado de personagens jovens, explosões de violência e a mesma história contada sob três pontos de vista. Não é o melhor filme do mundo, mas é intrigante, movimentado e inteligente. Um programa atraente contra o besteirol de "Um Lugar Chamado Notting Hill"
para citar apenas um exemplo.
John August é o roteirista. Encontrou inspiração para "Vamos Nessa" nos caixas da mercearia Ralphs, na Sunset Boulevard, em Los Angeles. É a chamada rock and roll Ralphs, por causa da proximidade com várias escolas de violão e guitarra. August começou escrevendo um curta, que intitulou X. O roteiro começou a ganhar adeptos e foi esticado até atingir sua forma atual, em que X subsiste quase que integralmente como a primeira versão da trama. Começa num supermercado, quando Ronna, a caixa, deixa o emprego tentando achar uma maneira de arranjar dinheiro para pagar o aluguel atrasado, desta maneira evitando ser despejada. Ela tenta fazer seu primeiro negócio com drogas, intermediando uma compra no lugar de seu colega traficante, Simon. Entram em cena Adam e Zack, dois atores de novela que participam de uma armação policial. A narrativa segue num crescendo, com direito a tiros e pancadaria. Atinge o clímax com um atropelamento. O espectador olha para o relógio. Passou-se só meia hora. O filme terá terminado? Não, recomeça sob outra ótica, contando a mesma história do ângulo de outro personagem. E muda mais uma vez para acrescentar um terceiro ângulo ao relato. Em cada uma dessas versões, a história não apenas é repetida como também avança. É o que faz a graça de "Vamos Nessa": 24 horas na vida de seus protagonistas, entre Los Angeles e Las Vegas.
O roteiro de John August é criativo, mas não adiantaria nada se o filme não contasse com a direção esperta de Doug Liman (que também é o diretor de fotografia). Não é um desconhecido: Liman fez antes "Swingers - Curtindo a Noite", com Jon Favreau e Vince Vaughn, sobre um comediante que rompe com a namorada e meio ano depois ainda está obcecado por ela. Seus personagens continuam curtindo a noite de Los Angeles: os de "Vamos Nessa" são adolescentes de bolsos vazios e muita vontade de aproveitar a vida. São personagens reais e não estereótipos como os da maioria dos filmes sobre jovens da atualidade.
Na hora do perigo, agem como gente grande. Foi o que determinou a escolha do elenco. August e Lime não queriam atores de 25 anos interpretando jovens de 18. Começaram escolhendo Sarah Polley, a garota de "O Doce Amanhã", de Atom Egoyan, que faz Ronna. As demais escolhas foram surgindo a seguir: Katie Holmes (de Tempestade de Gelo) para Claire, a amiga de Ronna; Jay Mohr (de Jerry Maguire - A Grande Virada) para Simon; Scott Wolf (do seriado O Quinteto) para Adam. Até pelos atores, mas também pela trilha, que tem desde velhos roqueiros como Steppenwolf até Natalie Imbruglia, é um filme cheio de adrenalina, bom para espectadores de todas as idades.


