Um dos nomes de maior peso nacional quando o assunto é feminismo, Rose Marie Muraro, 73 anos, também defende a discussão sobre os gêneros na gramática brasileira. ''Isso tem que ser feito, é uma discussão mais que necessária! A estrutura da nossa gramática está calcada no machismo ainda dominante e espero que isso mude. Precisamos nos questionar sobre a origem das coisas. Nunca concordei em falar 'o tesão'. Falo 'a tesão'. Acho que cada um tem que falar essa palavra conforme o seu gênero'', comentou.
Ela cita o filósofo austríaco Wittgenstein (1889-1951), quando diz ''que a linguagem é o universo da pessoa'', e acredita que a questão do machismo está ligada à gramática mais profundamente do que se imagina. ''É preciso acabar com a hegemonia do gênero masculino. Mudando as palavras, você muda a sua realidade; a linguagem esculpe o pensamento. Essa revisão de gênero já aconteceu no inglês, que é uma língua bem menos fracionada quando comparada ao português.''
Defensora da imagem de um ''Deus'' andrógino, que fez o homem e a mulher ''à sua imagem e semelhança'', Rose abomina a idéia de que em um local onde haja 500 mulheres e apenas um homem seja obrigada a dizer ''prezados senhores''. ''A mulher fica sem identidade com essa imposição sem sentido. Por que precisamos generealizar para o masculino se as mulheres formam a maioria? Até na Bíblia (da Editora Vozes) os gêneros foram acertados'', informou.
Entre as publicações mais recentes da escritora estão: ''Por que nada satisfaz as mulheres e os homens não as entendem", ''A Paixão pelo impossível'', ''O Amor de A a Z'', ''Textos da Fogueira'' e ''Feminino e Masculino''. Além de se dedicar a escrever e editar livros feministas, Rose Marie realiza frequentemente palestras sobre o assunto.(A.P.N.)

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