Embora os setores da sociedade que trabalham diretamente com o idioma estejam empenhando-se em se adaptar às novas normas, para a grande maioria da população por enquanto as mudanças não significam nada. Além disso, nem todos os livros didáticos foram corrigidos, nem os professores preparados para as novas regras.
E, como algumas regras não ficaram muito explícitas em relação a determinados termos, há divergências mesmo entre especialistas, que aguardam o lançamento da nova edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) para sanar suas dúvidas.
Apesar disso tudo, a professora Maria das Graças Alves, que leciona português, enxerga alguns pontos positivos, como favorecer o intercâmbio científico, cultural e político.
Para ela, regras como a eliminação do circunflexo em palavras como voo e creem são benvindas, embora outras sejam um tanto duvidosas. ''Estou preocupada com o fato de não mais podermos recorrer à acentuação para saber se a pronúncia é aberta ou fechada, como em ideia'', exemplifica.
Mas a principal alteração na qual a professora aposta não se refere a nenhuma regra, e sim a uma mudança na forma de se encarar a língua portuguesa. ''A língua é a maior marca de identidade nacional, e ultimamente não estava sendo devidamente respeitada. Quem sabe com essa reforma as pessoas não começam a estudar mais, e a dar mais importância à gramática?'', sugere, lembrando que de alguns anos para cá o aprendizado da ortografia e da gramática vinha sendo negligenciado em nome da interpretação de texto, cada vez mais cobrada no vestibular. E Graça lança ainda outra reflexão: ''E quem sabe a falta de valorização do português por aqui não facilitou essa reforma?'' (A.I)

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