Mudanças no ar
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de março de 1999
Sônia Apolinário Agência Estado 
A livre criação de programas e a possibilidade de vetar qualquer coisa de ir ao ar na Globo ganharam o mesmo peso, na semana passada, na emissora. Uma reestruturação na diretoria tornou oficial a ida de Daniel Filho para o comando da Central Globo de Criação (CGC) e a transferência do seu até então titular, Mário Lúcio Vaz, para a nova Central Globo de Controle de Qualidade (CGCQ).
Antes de ganhar status de central, o controle de qualidade era feito na CGC. Agora, Vaz terá o direito de vetar qualquer aspecto da programação da Globo se considerar que algo fere a ética, algum acordo comercial ou o relacionamento com emissoras concorrentes.
Com a criação dessa central, a emissora pretende iniciar a elaboração de um código de ética interno. Vaz ainda poderá dar recomendações aos diretores de programa se considerar que algo não vai bem no aspecto técnico. Já a ida de Daniel Filho para a CGC torna oficial uma liderança que o diretor já exercia informalmente. Em fevereiro do ano passado, ele se tornou um dos diretores de criação da emissora. Os outros são Carlos Manga e Roberto Talma. Mas nada se resolvia sem uma apreciação final de Daniel Filho.
Na reunião liderada pela superintendente-executiva Marluce Dias da Silva, que tratou da reestruturação, ficou decidido que Daniel também passaria a coordenar um Conselho de Criação. A ordem é apressar o processo de criação de novos produtos. A estratégia da emissora é fazer estréias ao longo do ano e, para isso, é preciso ter grande quantidade de programas disponíveis.
O que o conselho decidir, a CGC instala em conjunto com a Central Globo de Produção (Manuel Martins) e o departamento de Recursos Artísticos (Érico Magalhães). Assim, Daniel Filho volta a ter praticamente o mesmo poder que já teve por oito anos na emissora. -
Pelo que indica a reestruturação, esporte e música se tornaram tão estratégicos quanto as novelas. Tanto que foram criados núcleos e centrais para cuidar desses assuntos. Recentemente, a Globo contratou cantores sertanejos e pagodeiros que ganharam programas próprios.
Agora, como os atores, esses artistas precisarão da autorização da Globo para participar de programas de outras emissoras. Sertanejos e pagodeiros são tidos como isca de audiência, principalmente aos domingos. Com a reestruturação foi criado o Núcleo de Eventos e de Programas Musicais a ser dirigida por Aloísio Legey. Também foi criada a Central Globo Jurídica e de Direitos Esportivos, dirigida por Marcelo Campos Pinto. Essa central agrega as antigas diretorias Jurídica (Simone Lahorgue) e de Negociação de Direitos Esportivos (Ciro José).
Dar status de diretoria à compra de direitos esportivos foi a forma que a cúpula da emissora encontrou para ressaltar a importância que o esporte passou a ter. Pela primeira vez, a grade da Globo reservou dois dias da semana para exibição de jogos de futebol, às quartas-feiras e sábados.


