A chegada ao poder de um novo imperador do mármore e um assassinato são as principais novidades da primeira virada a ser dada na trama de ‘‘Suave Veneno’’, novela das 20 horas da Rede Globo. A partir de segunda-feira, a novela de Aguinaldo Silva ‘‘dá uma cambalhota’’, segundo o autor.
‘‘Tudo será virado pelo avesso’’, afirma. No olho desse furacão, estarão Waldomiro (José Wilker) e Figueira (Kadu Moliterno). O primeiro perderá a presidência da Marmoreal para o segundo. A derrocada do imperador do mármore começa quando Leonor (Irene Ravache) entra na Justiça para interditar os atos do ex-marido e afastá-lo da empresa sob a alegação de estar fazendo bobagens, ou seja, gastando muito dinheiro.
Para evitar o constrangimento de ser chamado de irresponsável na frente de um juiz, Waldomiro entrega a empresa, até porque já havia registrado em cartório a partilha dos bens da família. O documento tem uma cláusula que diz que, em caso de briga entre os herdeiros, a partilha é anulada e tudo volta para ele.
‘‘Ele faz a divisão de uma forma que inevitavelmente criará conflitos’’, conta Silva. Sua principal medida será a de nomear Figueira como novo presidente da firma, para desespero da mulher dele, Regina (Letícia Spiller), que sempre sonhou com o cargo. Enfurecida, ela expulsa o pai de casa, uma vez que o condomínio pertence à empresa e Waldomiro não trabalha mais lá.
O ex-imperador do mármore vai com Inês (Glória Pires) para um hotel. Ele consegue divorciar-se de Leonor e casa com Inês. A essa altura, Waldomiro já sabe que ela recuperou a memória, apesar de não ter lhe informado isso. ‘‘Ele está certo que os dois podem recomeçar do zero’’, explica Silva. ‘‘É aí que ele começa a se dar mal.’’
Nesse meio tempo, um assassinato movimentará ainda mais a trama. O público, porém, não vai precisar esperar até o fim da novela para conhecer a identidade do assassino. Na segunda virada da história, no capítulo 60, esse mistério será solucionado.
Sobre a primeira fase da novela, Silva faz uma autocrítica. Admite que os capítulos estavam lentos. Tanto que chegou a reeditá-los. ‘‘As críticas iniciais não me crucificaram’’, afirma o autor. ‘‘Isso me deu tranquilidade para ver o que estava faltando e corrigir o problema.’’
Ter sido obrigado a virar a história só após o Carnaval foi considerado um problema para o autor. ‘‘Fiquei segurando as tramas e o começo ficou lento’’, afirma. A época, porém, é estratégica. Na opinião de Silva, só agora a novela vai, de fato, começar. ‘‘Eu sabia que o início seria um drama.’’
O drama a que se refere são os índices de audiência. A novela estacionou nos 39 pontos. A meta do horário é de 55. Durante as férias, o número de aparelhos ligados cai uma média de 30%.
O autor, porém, acredita que há uma ‘‘queda inevitável’’ de audiência no horário nobre. O motivo, segundo ele, são as TVs pagas e ‘‘os programas voltados para a classe D das outras emissoras’’. ‘‘Fazer uma novela mais popular nos faria perder público em classes mais altas e isso poderia significar perda de anunciante’’, avalia Silva. ‘‘Afinal, as classes A e B são as que consomem.’’
Por enquanto, as pesquisas já feitas sobre a novela, segundo o autor, indicam que o público está aceitando bem a história. Dentre os personagens, o mais querido é Ualber (Diogo Vilella). Silva admite que ‘‘buscou humanizar ao máximo’’ o personagem para, depois, explorar a questão da homossexualidade dele. ‘‘Quando o público gosta, aceita qualquer coisa do personagem, desde que não seja do mal’’, disse.
Silva está certo que, após o Carnaval, ‘‘é fatal todos se voltarem para a novela das 8’’. Ele também está confiante que, a partir dessa virada, os índices de audiência ficarão no patamar do horário. ‘‘Depois do Carnaval, tem de dar’’, brincou. ‘‘Se não der, eu corto os pulsos na frente das câmeras para garantir a audiência.’’Reprodução‘‘Suave Veneno’’: nem mesmo a relação apimentada de Carlota Valdéz (Betty Faria) e Figueira (Kadu Moliterno) serve para aumentar Ibope da novelaSônia Apolinário
Agência Estado

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