O mercado nacional precisa achar sua própria fórmula de sobrevivência se quiser continuar crescendo - e fazendo a América Latina crescer. O Brasil é responsável por 76% do mercado de shows internacionais, ante 16% da Argentina e 8% do Chile. Para a maior empresa do ramo, a T4F, o ano de 2011 foi de recordes: realizou 396 apresentações de música ao vivo, com mais de 2 milhões de ingressos vendidos (um crescimento de 14% sobre as 348 apresentações e 1,8 milhão de ingressos de 2010). Os números de 2012 não estão fechados, mas não devem repetir o êxito.
A empresa XYZ Live realizou no mês passado o show do Kiss com público razoável (mas não com o Anhembi lotado). O Kiss, há pouco tempo, colocou 40 mil no mesmo local, e agora só reuniu 25 mil pessoas. Mas a empresa está longe de se ressentir de crise: fez uma turnê bem-sucedida de J-Lo (e outra centena de espetáculos) este ano e já possui mais de 100 funcionários e 2 mil colaboradores.
O panorama de inflação nos preços de ingressos já tinha sido apontado em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo em 2008, sob o título "Chuva de Cifrões". Levantamento feito pela reportagem, comparando preços de 1998 e 2008, mostrava que os preços dos ingressos para shows internacionais de rock e pop no Brasil tinham explodido nos últimos 10 anos, chegando a ter, em média, um valor quatro vezes superior ao que era praticado em 1998.
O cenário que havia (e que se consolidou em quatro anos), era o seguinte: a situação falimentar da indústria fonográfica gerou uma necessidade de diversificação no mundo da música; empresários migraram para o entretenimento ao vivo, que se constituiu num novo mercado; as antigas gravadoras passaram a usar recursos maciços para promover turnês; e o show passou a ser a principal fonte de renda para o artista, que não vende mais discos (artistas de maior fama, como Lady Gaga e Katy Perry, também emprestam o nome para linhas de perfume e moda).
Para o público, no entanto, nada muda: o que se vê é um cenário de aviltamento do mercado. Há ainda, em especial no Brasil, as condições externas ao concerto complicando tudo. Shows no Morumbi, por exemplo, são palco de abuso de preços de estacionamentos, táxis, alimentação, segurança. O fã acaba desanimando.
Há ainda uma teoria generalizada de que a chegada do gigante Lollapalooza, festival norte-americano que se instalou no ano passado no Brasil, fez minguar o cardápio de artistas para festivais menores, como o Planeta Terra. Sintoma da livre concorrência, isso pode levar a uma "atrofia" dos pequenos no País, limitados a um leque de artistas "menores", segundo disse à reportagem um produtor que não quis se identificar. Por outro lado, também pode obrigar ao uso da imaginação na escalação de bandas - em vez de escolher o hype, produtores darão mais atenção à qualidade e investirão em nomes que não são consagrados, mas podem surpreender. (J.M./AE)

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