A Companhia das Letras já tem os nomes que vão substituir os editores Flavio Moura e André Conti, que deixam a empresa para abrir uma nova casa voltada à literatura. Os dois contratados são o escritor Emilio Fraia e o antropólogo Ricardo Teperman, que eram autores da casa.
Fraia publicou por lá a HQ "Campo em Branco", em parceria com DW Ribatski, e o livro "O Verão de Chibo", com Vanessa Barbara. Ele já foi editor da Cosac Naify.
Teperman publicou "Se Liga no Som". Ele foi editor da revista da Osesp e da "Novos Estudos", do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento.
Fraia deve se dedicar a projetos de ficção contemporânea, nacional e estrangeira, obras completas estrangeiras e quadrinhos. A ideia é que Teperman atue na não ficção.
Mas o presidente do Grupo Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, destaca que essa divisão não é rígida. "Uma das qualidades da Companhia é não ter essa fronteira tão forte. Todo mundo atua em todas as áreas. O Ricardo deve fazer ficção também, embora seu forte sejam as ciências humanas", diz.
Questionado se sabia há tempos sobre a saída de Moura e Conti, dada a velocidade na contratação dos substitutos, Schwarcz diz que a dupla já estava em seu radar. O editor diz não ter receio de que autores queiram acompanhar os editores que deixam a casa."Pode acontecer. No entanto, eles dizem que não é esse o objetivo. Estamos assegurando aos autores que a Companhia continua igual. Ou até melhor. Se duas pessoas saem, é porque de alguma forma não estavam motivadas para ficar", diz. "Mas não tem nada, são pessoas queridas. Quem entrar vai entrar com vontade, e será bom para todo mundo. Esse caso é um exemplo. Essas saídas costumam se dar com rompimento. Vou ajudá-los no que puder. Eles estão saindo com a nossa bênção."

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