Promover um diálogo franco e intenso com todos os funcionários, colaboradores e até mesmo com ex-apresentadores e produtores que suspenderam seus programas na emissora. Essa é a linha inicial de atuação proposta pela professora Maria Irene Pellegrino de Oliveira Souza, que desde a última terça-feira responde oficialmente pela direção da Rádio Universidade FM, pertencente à Universidade Estadual de Londrina. Em outras palavras, ela terá muito trabalho pela frente em função da polêmica criada com a extinção da emissora como órgão de apoio e sua direta subordinação à recém-criada Coordenadoria de Comunicação Social (COM), que motivou o pedido de demissão de integrantes da diretora da Comunidade de Amigos, Trabalhadores e Apoiadores da Rádio (Camtar). A Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), foi criada em 2002 para buscar recursos junto à comunidade e Ministério da Cultura para investimento em projetos da rádio.
Maria Irene iria agendar ontem uma reunião com o médico e pesquisador José Luís da Silveira Baldy, presidente da entidade, para analisar a situação. ''Ao contrário do que se fala, a COM tem como objetivo criar uma política de institucionalização. Eu jamais aceitaria o convite se entendesse que a COM iria cercear a liberdade de expressão de funcionários e pessoas emvolvidas com a emissora'', analisa.
Como diretora da rádio, Maria Irene passa a integrar o grupo de trabalho que tem por incumbência criar uma pré-proposta de elaboração de um regimento de política de comunicação da UEL a aprovação ou não caberá ao Conselho Universitário. ''A idéia é que haja uma maior reflexão e com isso acabem os isolamentos das unidades da Universidade. Houve polêmica, acho até saudável as discussões de opiniões diferentes, mas vejo a implantação dessa política não de modo simplista, mas simples'', diz ela.
Quanto à possibilidade de, uma vez subordinada à COM, a Rádio Universidade FM estar à mercê de possíveis divulgações de notícias com finalidades eleitoreiras, Maria Irene é enfática. ''O perfil da reitora Lygia Puppato não permitiria que isso acontecesse'', avisa. A professora não é filiada a nenhum partido político, mas se diz simpatizante do PT.
Sobre o pedido de suspensão de programas por parte de 12 colaboradores da emissora de um total de 30 , a professora diz que pretende se reunir com aqueles que se dispuserem ao diálogo para tentar chegar a uma solução. No entanto, ela diz que para manter a diversidade musical da rádio não está descartada a hipótese de análises de futuras propostas para produção de programas. ''Tenho uma experiência administrativa razoável, mas não pretendo fazer uma rádio sozinha'', diz Maria Irene que, pela primeira vez, está à frente de uma emissora de rádio. ''Dirigir um veículo de comunicação é uma grande responsabilidade'', frisa.
Morando na cidade há 14 anos, a paulistana Maria Irene Pellegrino de Oliveira Souza, 49 anos, é docente da Universidade Estadual de Londrina há uma década. Antes de assumir a direção da Universidade FM, onde substituiu a mucisita Janete El Haouli, ela ocupava o cargo de vice-diretora do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA). Graduada em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo. Seu currículo também contempla especialidade em fotografia e mestre em Educação. Atualmente cursa o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem na UEL. Maria Irene exerceu a função de vice-coordenadora de Colegiado do curso de Educação Artística e chefe do Departamento de Arte, por duas gestões consecutivas. As informações foram repassadas à imprensa pela COM.

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