Curitiba - A Prefeitura de Curitiba entregou ontem para o Instituto Curitiba de Arte e Cultura a responsabilidade pelos projetos mantidos pelo Conservatório de Música Popular da cidade. Durante 60 meses, o instituto, uma Organização Social (OS) criada especialmente para este fim, vai ficar à frente de todos os projetos desenvolvidos pelo conservatório, além das atividades da Camerata Antíqua de Curitiba e outros programas de música desenvolvidos pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC), como o Terça Brasileira no Paiol. Esta é a primeira vez que um órgão da fundação será administrado em conjunto com a iniciativa privada.
O presidente da fundação, Cassio Chamecki, não gosta da palavra terceirização para definir como vai funcionar o conservatório nos próximos anos, mas é assim que funcionários, músicos e professores estão encarando o processo. O coordenador administrativo do conservatório, Pedro Twardowsky, diz que os funcionários têm a liberdade de pedir transferência para outro órgão da FCC, caso não concordem com a nova forma de gestão. ''Mas vamos esperar as propostas para tomar uma decisão'', avisa.
O instituto assume a programação musical com base na Lei Municipal nº 9.226, de dezembro de 1997, que define como deve ser a composição de uma OS. ''A OS assume as funções executivas do Conservatório, mas a definição de metas continua a cargo da Fundação Cultural'', explica Chamecki. Ele esclarece que o conselho administrativo que forma a organização é constituído por nomes indicados pelo prefeito Cassio Taniguchi (PFL). No caso do Instituto Arte e Cultura, os nomes já foram definidos.
Além de Chamecki, fazem parte do conselho o procurador geral do município, Maurício Ferrante; o secretário municipal de Finanças, Carlos Alberto Carvalho; os empresários Sérgio Reis e Miguel Krigsner (da empresa O Boticário); o diretor de teatro João Luíz Fiani; o músico Glauco Solter; e as produtoras Ragnildes Borgomanero, Cloris Justen e Letícia Melano.
''As pessoas que formam o conselho não precisam ter necessariamente uma visão da área de música, mas sim um visão da área executiva e da cena cultural da cidade'', defende Chamecki para o fato de apenas um músico (Glauco Solter) integrar o conselho do instituto. Para ele, existem várias vantagens no fato de uma OS assumir as responsabilidades pelos projetos de um órgão da FCC. ''O instituto tem liberdade de captação de recursos e também não precisa se restringir ao município. Pode levar a programação para outras cidades e estados'', argumenta.
O Conservatório de Música Popular de Curitiba existe há 12 anos. Atualmente tem um corpo docente de 40 professores, cerca de 50 músicos e mantém aproximadamente 50 cursos para uma média de 1,2 mil alunos por ano. Chamecki descarta a possibilidade dos cursos encerrarem com a mudança na gestão. ''A fundação exige que o instituto mantenha um número 'x' de cursos, está no contrato'', salienta. Já para os professores e músicos contratados a garantia de continuidade não existe. ''Mas eles não teriam estabilidade mesmo se a Organização Social não assumisse, já que não são concursados'', justifica.

mockup