Carlos Lombardi pretende, em ''Quinto dos Infernos'', enveredar por detalhes que os livros didáticos não contam sobre o Brasil Colônia. A empolgação do autor com a minissérie, prevista para estrear em janeiro de 2001, é, porém, justificável. Embora esta não seja a primeira minissérie de Lombardi há 20 anos, ele adaptava clássicos literários para a TV Cultura ''Quinto dos Infernos'' tem ares de estréia. Afinal, após tantas novelas de humor como ''Quatro Por Quatro'', ''Vira-Lata'' e ''Uga Uga'' , só agora o autor foge do horário das 19 horas. Mas ele jura que mantém a irreverência, que caracteriza todas as suas obras.
''Quinto dos Infernos'' mistura personagens históricos e fictícios numa visão bem-humorada sobre a vida na Corte brasileira, ou seja, o Rio de Janeiro. Ainda envolvido com as pesquisas de época, o autor confessa que a escalação do elenco é uma de suas preocupações, já que vários atores, antes confirmados, estão comprometidos com outras produções. ''Mas confio na competência das pessoas que sempre trabalham comigo'', minimiza o autor.

''Quinto dos Infernos'' marca sua estréia fora do horário das sete da Globo. O que muda para você?
A principal mudança, que considero uma tremenda desvantagem, é não contar com o retorno imediato do público. Eu gosto do ''feedback'' rápido de novela. Quando a minissérie for ao ar eu já vou ter escrito mais da metade do texto. É quase um tiro no escuro. Por outro lado, escrever para às 23 horas me deixa livre para explorar outros temas. Não preciso mais me preocupar se tem criança assistindo à tevê, até porque essa não é hora de criança estar acordada. E, sendo uma obra pequena, de uns 44 capítulos, acho que não vou morrer no meio do trabalho.

Por que você escolheu o Brasil do início do Século XIX como tema da minissérie?
Porque esse período revela muito da nossa identidade e de nossos problemas também. A chegada da Família Real ao Brasil foi um marco, que transformou uma típica Colônia em Reino Unido, sem aviso prévio. É lógico que isso acentuou nossos conflitos. Tanto que, em pouco tempo, pipocou a Independência. Além disso, há toda uma história por trás, a fuga da Europa, as intrigas da Corte, personagens que me fascinam. Isso responde muito sobre o que nos tornamos. Mas não se trata de uma paródia ao Brasil de hoje, não adianta procurar o Lula ou o FHC disfarçados na trama.

Como obra histórica, a minissérie vai exigir muitas adaptações no seu texto?
Realmente, esse tipo de obra exige todo um cuidado de linguagem, mas não vou engessar a fala dos meus atores. Na verdade, nenhum escritor faz a verdadeira linguagem de época porque ela já se tornou incompreensível. O que existe é apenas uma maquiagem sobre o texto. Eu não tenho essa preocupação porque quero deixar claro que as pessoas do Século XIX tinham um linguajar moderno para seu tempo que, aliás, era um período profundamente moderno. Elas não tinham a pretensão de falar difícil. Praticamente, os únicos cuidados que tenho é usar o ''tu'' no lugar de ''você'' e não incorporar gírias ao texto.

Qual seria a fórmula para alcançar uma boa audiência em minissérie?
Se eu tivesse uma fórmula não estaria tão preocupado com isso. Não adianta negar: nós, autores, estamos sempre sujeitos à parte comercial, que, por sua vez, fica à mercê da audiência. Fazer uma obra-prima não significa seduzir o grande público. Esse é o grande mistério. A minissérie precisa ser atraente. Por isso, faço questão de incluir atores que conheço e que sabem falar meu texto, fazer meu tipo de humor. Todo autor tem seu time de atores e eu não abro mão dos meus.

Que dificuldades que você enfrenta para escalar o elenco?
É sempre complicado porque nem todo mundo que a gente quer está disponível. Confirmados, eu tenho meus veteranos Humberto Martins, Nair Bello, Marcos Pasquim, Betty Lago e Danielle Winits. Conto também com Luís Gustavo, Caco Ciocler e Pedro Paulo Rangel. Ainda aguardo Luana Piovani, que está negociando contrato com a Globo. Gostaria de ter Ana Paula Arósio e Maria Fernanda Cândido, mas elas já estão comprometidas com ''Uê, Paisano'', continuação de ''Terra Nostra''. O resto é especulação.

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