Ana Paula Padrão não é nenhuma especialista em esportes. Muito menos em futebol. Na verdade, ela entende mesmo é de política e economia. Por isso, a jornalista diz ter motivos para comemorar mais um gol da sua carreira: ser escalada para apresentar a Copa do Mundo de 2002 pelo ‘‘Jornal da Globo’’. A apresentadora, que está sempre de malas prontas para sair do país atrás de coberturas internacionais, vai ancorar o jornal diretamente da Coréia do Sul e do Japão, chamando, diariamente, as notícias mais importantes do dia. Enquanto isso, sua bancada no Brasil será assumida pelo jornalista Willian Waack. ‘‘Vou dividir a apresentação com ele, que não descaracteriza o jornal, já que é um agregado do ‘JG’’’, explica.
A apresentadora, que embarca para a Coréia no dia 21 de maio, irá apresentar o telejornal na primeira fase dos jogos – que vai do dia 31 de maio até o dia 13 de junho – de um estúdio improvisado na cidade de Ultam, na Coréia, onde estará a seleção brasileira. Montado em cima de um telhado no campus de uma universidade, o estúdio terá como cenário um campo de futebol ao fundo, escolhido para o treino da seleção. ‘‘Muitas vezes entraremos no ar na hora em que eles estiverem treinando. Será a imagem perfeita para a transmissão’’, adianta.
O estúdio ao ar livre, completamente diferente da bolha de vidro construída para a transmissão das Olimpíadas em Sidney, na Austrália, em 2000, é muito simples. A dificuldade de acesso e os empecilhos para transportar equipamentos muito pesados fizeram com que a equipe de jornalismo da emissora decidisse por viajar com equipamentos leves, como laptops e ilhas portáteis de edição. Até o tele-prompter corre o risco de ficar pelo Brasil, obrigando Ana Paula a ter de apresentar o jornal de improviso. ‘‘Estou acostumadíssima com estes riscos. Vou me divertir muito. Mas também posso ir até o campo e apresentar o jornal de lᒒ, avisa.
Para editar, sugerir pautas e fechar o jornal com Ana Paula, será escalado um editor de esporte, enquanto que a equipe fixa da jornalista fica no Brasil, fechando o restante das matérias do ‘‘Jornal da Globo’’. Mesmo assim, Ana garante que não vai deixar de conversar com suas fontes brasileiras diariamente e fazer comentários sobre algumas matérias que não sejam pautadas pela Copa. ‘‘Vou continuar interferindo o tempo todo’’, garante.
Já na segunda fase da Copa, quando a equipe brasileira estiver viajando por outras cidades, Ana e sua equipe estarão atrás, transmitindo o jornal dos estádios ou das ruas, em um improviso ainda maior. Para a apresentadora, a maior dificuldade de uma cobertura como essa é o fuso horário, já que são exatamente 12 horas de diferença. Ana Paula avisa que o ‘‘Jornal da Globo’’ será o último telejornal antes dos jogos e o primeiro antes do treino do Brasil, o que lhe dá a possibilidade de fazer matérias sobre expectativas.
Após 15 anos na Globo, cobrindo guerras como a de Kosovo, o acidente nuclear na usina de Tokaimura – no Japão –, a série sobre o Afeganistão, a Copa do Mundo em 1998 e as Olimpíadas de 2000, a jornalista garante que jamais viaja sem ler absolutamente tudo sobre o país que será sua próxima parada. Para a Copa, Ana já começou a devorar livros sobre a Coréia, estudar os adversários do Brasil e está conversando com os editores de esporte da emissora sobre futebol. ‘‘Leio sobre a história recente do país para onde estou embarcando. É uma forma de me sentir mais segura’’, assume.
Ao falar agitadamente, Ana Paula parece encarar suas coberturas internacionais como uma grande aventura. Ao lado de outros jornalistas da emissora, como a apresentadora Fátima Bernardes – que também vai ancorar o ‘‘Jornal Nacional’’ da Coréia e Japão –, Ana se entusiasma ao falar sobre o tal ‘‘espírito de equipe’’, que ela garante sempre estar presente em eventos como este. ‘‘Tenho certeza de que a Fátima vai me ajudar muito a fechar o jornal, da mesma forma em que eu estarei com ela, sugerindo pautas para o ‘Jornal Nacional’’’, prevê.

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