MUDANÇA - Jornalista assume a Fundação Cultural de Curitiba
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2004
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba O jornalista Paulino Viapiana vai assumir a presidência da Fundação Cultural de Curitiba em 2005. A nomeação foi anunciada ontem, pelo prefeito eleito Beto Richa (PSDB) e pegou de surpresa a classe artística da cidade. Viapiana, que trabalhou em empresas privadas e no último ano dedicou-se à campanha de Beto assume não ter ligações com a área cultural, mas garante que isso não vai fazer diferença na sua gestão. ''Nessa área, o poder público não é um produtor e sim um facilitador da produção cultural e é isso que pretendo fazer, facilitar as produções'', disse à Folha 2.
Ontem, o jornalista teria a sua primeira reunião para tratar dos ''problemas'' da Fundação Cultural. O tema a ser tratado seria a Oficina de Música, que começa no dia 5 de janeiro e ainda passa por dificuldades orçamentárias, conforme anunciou Viapiana. ''A Fundação Cultural atualmente está bem está bem estruturada e não tem grandes problemas. Assim como em todo o País, a dificuldade está no orçamento'', analisa o jornalista. Ele diz que ainda não teve tempo para conhecer a realidade da instituição e pretende fazê-lo logo que assumir, no dia 1º de janeiro.
Questionado sobre como pretende resolver um dos maiores impasses da Fundação nos últimos anos, a demora na análise e aprovação dos projetos inscritos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Viapiana ressaltou que pretende analisar com calma a situação. ''Vamos tomar providências para agilizar a situação, mas ainda não posso dizer como isso vai ser feito'', diz.
Uma mudança, porém, já foi anunciada por Viapiana. A Fundação pretende reativar o Conselho Municipal de Cultura. ''É uma promessa de campanha do Beto Richa e isso será uma das primeiras coisas a serem feitas'', adianta. Segundo o jornalista, o conselho vai abrir e manter um diálogo constante com que produz e com quem consome a cultura na Capital.
Esse diálogo, aliás, é a principal reinvindicação dos artistas e produtores culturais entrevistados pelo Folha2. A reportagem falou com sete representantes da classe artística na cidade, nas áreas de música, teatro e cinema. Nenhum deles conhecia Paulino Viapiana. Para a produtora, atriz e diretora de teatro Regina Vogue, que atua há mais de 30 anos na área cultural da cidade, a expectativa da nova gestão é boa, mesmo não conhecendo o novo presidente. ''Acho que quem vai assumir deve ampliar o diálogo com a classe teatral e rever as questões do orçamento. A verba destinada é sempre muito pequena'', reclama Regina.
Para o cineasta Luciano Coelho, a expectativa está em um direcionamento transparente dentro de todas as áreas. ''E de preferência com uma consulta à classe artística'', diz Coelho. Para ele, alguns projetos que deram certo na gestão em vigência também devem ser considerados para uma continuidade, como o as Residências Culturais do Novo Rebouças.
O músico Ulisses Galetto, que deixou de dar aulas no Conservatório de Música Brasileira por não concordar com o rumo que a Fundação deu para o órgão, disse esperar que a nova gestão seja sensível à realidade cultural de Curitiba. ''Muita coisa boa é produzida na cidade sem apoio do poder público'', diz Galleto.
O novo presidente da Fundação Cultural de Curitiba assume o cargo de Cássio Chamecki, que antes de assumir a Fundação produzia, ao lado de Leandro Knopfholz e Victor Aronis, o Festival de Teatro de Curitiba. Paulino Viapiana é natural de Antonio Prado, no Rio Grande do Sul, mas há 30 anos vive em Curitiba. É formado em Jornalismo, tem pós-graduação em Marketing e MBA pela Fundação Getúlio Vargas.
Para o ano que vem, Viapiana terá uma proposta orçamentária herdada da gestão de Chamecki de R$ 15.259 milhões. Este ano, o orçamento da fundação foi de R$ 21.360 milhões, segundo informações da FCC.


