Curitiba - O Perhappiness, tradicional evento literário de Curitiba, criado para homenagear Paulo Leminski (que cunhou o trocadilho que dá nome ao festival), não será realizado este ano. A Fundação Cultural de Curitiba informou que pretende retomar o evento a partir do ano que vem.
''Decidimos protelar o festival porque percebemos que a Coordenação de Literatura estava um pouco aquém das expectativas, sem sede definida e com carência de equipamentos. Decidimos nos concentrar na reestruturação da coordenação, com esforço e investimentos. O Perhappiness vinha perdendo força e precisava passar por uma reformulação de qualquer forma'', explicou Beto Lanza, diretor de ação cultural da Fundação.
''O Perhappiness já não atendia as exigências dos artistas e da população. A idéia é voltar no próximo ano com um festival literário maior, do qual o Perhappiness fará parte'', disse o diretor.
Lanza argumentou que a Coordenação de Literatura está promovendo uma série de eventos em 2006, como o Paiol Literário, bate-papo realizado uma vez por mês com algum escritor renomado, e oficinas de criação literária. Outras ações incluirão a reestruturação de bibliotecas e a criação da Casa da Leitura, no Parque Barigui. ''Achamos que promover ações ao longo de todo o ano é mais importante do que manter um evento pontual'', afirmou Lanza.
A respeito do festival literário que será realizado no ano que vem, o diretor explicou que a meta é marcar as datas para agosto. Em 2007, a Fundação Cultural quer manter e intensificar as ações realizadas este ano, e integrá-las ao festival. Outra mudança é a reestruturação física da Coordenação de Literatura, estabelecida no Palacete Wolf, antiga sede da Fundação Cultural (que, por sua vez, foi transferida para o Moinho Rebouças).
O Perhappiness foi criado em 1989 e ao longo de suas várias edições se estabeleceu como um evento prestigiado nacionalmente na área literária. Dentre os vários escritores, palestrantes, debatedores e músicos que participaram do festival, estão o autor de quadrinhos Lourenço Mutarelli, o poeta Glauco Mattoso e o dramaturgo Mário Bortolotto.
O poeta Mário Domingues, um dos organizadores do Porão Loquax, encontro literário realizado às terças-feiras no Wonka Bar, em Curitiba, acompanhou o Perhappiness pela primeira vez em 1992, como espectador. No ano passado, ele participou de uma mesa-redonda no evento. ''Foi bacana, mas o festival já não estava à altura dos seus melhores anos'', acredita Domingues, que considera que a decisão da Fundação Cultural de adiar o Perhappiness foi correta.
''O evento estava decaindo ano a ano. O problema era a falta de verba. Tem que deixar sem Perhappiness, para as pessoas sentirem falta e depois o evento voltar com tudo'', argumenta o poeta.
O estudante Luís Fernando Chagas acompanhou as edições mais recentes do Perhappiness. Ele lamenta a ausência do evento este ano. ''Se os organizadores estão adiando para fazer um festival mais forte, acho louvável. Eu entendo as dificuldades para realizar esse tipo de evento. Quando alguém remaneja o orçamento, o primeiro corte que fazem é na área de cultura'', diz o estudante.
Chagas afirma que as edições do Perhappiness que acompanhou foram ''irregulares''. ''Vi edições muito boas, como a de 2004, e outras meio sem sal, como a do ano passado, que teve uma estrutura acanhada. Acho o evento importante e espero que volte com força total''.

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