Mr. Nice Guy quer mais um megasucesso
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sexta-feira, 08 de maio de 2009
Luiz Carlos Merten<br> Agência Estado 
A capital italiana foi escolhida por ser o cenário quase único do novo filme estrelado por Tom Hanks, ''Anjos e Demônios''. O filme chega na sequência de ''O Código Da Vinci'' e também é uma adaptação de um best seller de Dan Brown. A história se passa num perímetro de quatro igrejas que traçam uma cruz ao redor do Vaticano.
O papa morreu, o trono de São Pedro está vacante, os cardeais iniciaram o conclave. E é neste quadro que Robert Langdon, o personagem de Hanks, é convocado para ajudar a resolver um enigma.
O primeiro filme foi massacrado pelos críticos, mas foi um megasucesso de público. O que você pensa disso?
É normal. O livro de Dan Brown é um dos maiores, senão o maior sucesso editorial da história. E ele trata de assuntos polêmicos. Lá, era a descendência de Cristo, aqui a relação entre ciência e religião. Ron (o diretor Howard) e os roteiristas tomaram mais liberdades em relação a esse segundo filme, inclusive fazendo com que a história se passe depois. Mas a própria história de ''Anjos e Demônios'' é narrada de forma mais cinematográfica. Essa mistura de realidade e fantasia atrai as pessoas. É um filme que eu gostaria de ver.
As pessoas dizem que, como ator, você consegue transformar o ato de representar numa coisa fácil, ou pelo menos faz com que pareça fácil...
Quem diz isso? Não conheço outro maneira de representar e, devo dizer-lhe, não é nada fácil. É a primeira vez que repito um personagem e nem isso facilitou as coisas. Cada filme encerra sempre o seu desafio e acho que, no fundo, é o que nos motiva. Cada vez é preciso encontrar a chave para contar a história. É o que faz de cada filme algo novo e excitante.
Robert Langdon é semiólogo, conhece os símbolos melhor do que ninguém. Você, por exemplo, é um símbolo para o público de todo o mundo. Mr. Nice Guy, o Sr. Bonzinho. Não gostaria de mudar essa imagem?
E ser o Bad Guy? Vou lhe dizer uma coisa. Vivemos numa era da imagem, em que predomina a retórica. Não é apenas o que você diz que conta, mas quantas vezes você diz até que as coisas sejam aceitas, e isso não tem nada a ver com o fato de serem verdadeiras ou não. Todo mundo se queixa dos políticos e, no entanto, continuamos acreditando ou querendo acreditar neles. Tenho representado Mr. Nice Guy, mas qual seria a alternativa? Se fosse possível entender as motivações de um vilão, sem dúvida que eu gostaria de interpretar um. Mas ser apenas um clichê não é coisa que me atraia.
Você contracena com Ayelet Zurer, um mulherão. Não é frustrante que o filme, ao contrário do livro, não tenha um pouco de romance?
Tentamos encaixar cenas de romance e sexo, mas é complicado. Como na vida, essas coisas exigem tempo. E, ao mesmo tempo, frustrar um pouco a expectativa do público talvez seja interessante. Todo mundo espera, porque é um clichê do cinema, que Robert e Vittoria (Ayelet), tenham um caso. Não creio que o filme se ressinta disso.
Mas se houver um terceiro filme da série, como parece que haverá, você terá de ir para a cama com não importa quem. Frustrar o público pela terceira vez pode ser perigoso...
Já tentamos extrair detalhes do novo livro de Dan (Brown) mas ele se fecha e pede para esperarmos até setembro, quando ''The Last Sygn'' será lançado. A única coisa que ele disse é que a história se passa em 12 horas. Mas vou levar sua solicitação ao diretor. Uma cena de cama para Robert Langdon, por favor.
Você produziu ''Mamma Mia'' e a série ''Band of Brothers'', a também dirigiu. Ser diretor de cinema é um sonho seu?
Produzir é uma outra forma de exercitar minha criatividade. É excitante ler um roteiro, um livro e captar seu potencial. É como desenhar maquetes e ver uma delas se transformar numa casa. Mas vou lhe dizer uma coisa. Meu olhar é de ator. Gosto de levar minhas observações ao diretor, mas dirigir é muito complicado, exige uma dedicação muito maior do que a de interpretar.
Houve uma reação muito mais negativa da Igreja ao Código do que a ''Anjos e Demônios'' mas um cardeal já declarou que o filme é anticatólico...
A Igreja não colaborou com a realização de ''Anjos e Demônios'' e talvez tenha sido melhor assim. ''O Código Da Vinci'' podia ir contra muitos dogmas, mas tenho certeza de que, no limite, o saldo foi positivo. No final, mais gente se interessou pela Opus, inscreveu-se em suas faculdades e os fiéis continuam indo à missa. O fato de levantarmos questões pode ser estimulante. As pessoas precisam pensar mais sobre sua fé. Aqui, elas vão pensar sobre ciência e religião, que não são excludentes. O mundo mudou. Não podemos ficar presos a velhos dogmas. A Igreja não precisa ficar buscando inimigos onde eles não existem.


